Domingo, 14 de Junho de 2009

Baby, come here

Ele me ligou e me disse: baby, precisamos nos ver. E eu fui até ele. Coloquei renda, perfume e brilho nos olhos.

Nos sentamos no meu bar costumeiro, pedimos nossa bebida costumeira e brindamos à nós, àquela noite, aos nossos beijos. Ele conversava, argumentava, me explicava sobre seus negócios, suas viagens, seus hormônios e eu o ouvia. Como o ouvia. Adoro o som da sua voz.

Depois eu que explicava e argumentava. Ele me dava conselhos. Conselhos para uma vida inteira. Afinal, ele possui os anos a mais que eu não tenho.

Enquanto minhas mãos esfregavam suas pernas suavemente, ele arrumava a gola da minha blusa e sorria para o meu sorriso.

Eu o contemplava. Sua barba macia, seu ombro bom de deitar, de me aconchegar...

(...)

Oh, you are the sexiest man I've ever been with

In Praise of The Vulnerable Man,
Alanis Morissette.
Contemplar:=/ ...
No popular:=/ You are the sexiest man I've ever been with.

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Sentimental

O quanto eu te falei que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você
Não vai me livrar de viver

Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar

De tanto eu te falar, você subverteu o que era um sentimento
E assim fez dele razão
Pra se perder no abismo que é pensar e sentir

Ela é mais sentimental que eu
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais

"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e tever buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."

Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Sem fantasia

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos

Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Meu Deus...

Eu estava de óculos escuros, distraída e fechada nos pensamentos doloridos quando olho, viro, volto a cabeça rapidamente e olho outra vez. Sim, era lindo. Tinha a mandíbula quadrada, sobrancelhas carregadas, um braço que ao forçar se desenhava finas linhas. Im-Perfeito para o ambiente, confesso. Combina mais atrás de um vidro fumê de um carro escuro com o ar condicionado funcionando para não desmanchar o bom humor. Combina de terno, cueca branca e apertada, camiseta branca e apertada, combina sem nada por cima. Comigo por cima, comigo por baixo. Hum...

- Olá, me chamo Zeus. Mas meus amigos me chamam de Deus. E você, qual o seu nome?

- Me chamo Hera. Mentira... É Barbara mesmo.

(...)

I could have met you in a sandbox
I could have passed you on the sidewalk
Could I have missed my chance
And watched you walk away?

Love song for no one,
John Mayer


Zeus:=/ Deus do céu e da Terra, senhor do Olimpo, deus supremo.
No popular:=/ ...

Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Ferrugem nos sorrisos

Quem sabe não somos nossas próprias salvações, meu bem. Quem sabe eu não fui feita sob medida pra você já que, quase 9 meses depois de você, eu nasci. Quem sabe você não é a minha salvação?

Somos nossas salvações desse mundo de drogas, de sexo e do rock'n roll, baby. Deixa eu te mostrar somente minha vodka e nada mais. Somente meu corpo e nada mais. Somente meu Chico Buarque, minha Elis Regina, minha adorável Marisa Monte, e meus profundos Los Hermanos. E nada mais.

Quem sabe se nós não cantamos, juntos, aquela música da Legião Urbana, Pais e Filhos, para prever o seu sofrimento de hoje?

Quem sabe, meu amor, se nós não nos calamos porque somos covardes? Na mesma quantia de ambos. Ambas as partes tímidas, sofridas e carentes.

Nossos filhos terão nomes de santo? Quero o nome mais bonito.

Quem sabe. Quem sabe se você será salvo?

(...)

Parece cocaína
Mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem
Do cansaço e da solidão
Descompasso, desperdício
Herdeiros são agora
Da virtude que perdemos

Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso

Os sonhos vêm e os sonhos vão
E o resto é imperfeito

Dissestes que se tua voz
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira

E há tempos
Nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens
Que adoecem
E há tempos
O encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura
Abrigo e proteção

Meu amor!
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Lá em casa tem um poço
Mas a água é muito limpa

Há tempos,
Legião Urbana




Há tempos:=/ ...
No popular:=/ disciplina é liberdade...

Sábado, 14 de Março de 2009

Go out

- Bá, não vai sair?

1 minuto depois...

- Bá, você não vai sair?

2 minutos depois...

- Bá, não vai sair hoje?

...

Não saí.

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Me prometo-me

Já prometi tantas coisas. Já prometi não beber refrigerante. Caminhar pelas manhãs. Ouvir mais a minha mãe. Abraçar mais as minhas irmãs. Manter meu mau humor matinal longe de mim. Já prometi te esquecer. Não lembrar. Já prometi me apaixonar pelo primeiro que cruzasse o meu caminho. Também prometi dormir mais tarde, acordar mais cedo. Escrever mais, ler mais, falar menos. Prometi não brigar, não chorar, viver.

Não estou cumprindo com minhas promessas.

(...)

Discrepância do destino!

Promessa:=/ ...
No popular:=/ ...

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Bloco do eu sozinho

Você e eu
Logo senti que havia algo mais
Você e eu
Um beijo e um grande amor se faz
Você e eu
Meu sentimento vai além de qualquer carnaval

(...)

Todo mês de fevereiro, morena, carnaval te espera
Querem te botar feitiço, morena, mas também pudera
Se ele pega no teu corpo, vai ter gente enlouquecida
Querendo entender a tua dança, querendo saber da tua vida

(...)

No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança


Carnaval:=/...
No popular:=/ ...

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Bananas retas

(...)

Trema não é mais obrigatório?
Tem jornais e revistas que aboliram há tempos.
Cada um segue um estilo próprio, não sabia?
Padrão é o nome.
Tem jornais e revistas que escrevem títulos de obras de arte entre aspas. Outros, em itálico. Certa vez, quando mudei de empresa, tive um pesadelo em itálico. Minha mãe apareceu inclinada e me ofereceu bananas retas.

(...)

Trecho de um livro ai.

(...)

Eu ri.

Banana:=/Fruta.
No popular:=/ Em primeiro lugar: ‘BANANA’... Que palavra é essa?... Em segundo lugar: ECA.

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Vai meu bloco

Dei um aperto de saudade no meu tamborim
Molhei o pano da cuíca com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera para a marcação e
Cantei a minha vida na avenida sem empolgação

Fiz o estandarte com as minhas mágoas
Usei como destaque a tua falsidade
Do nosso desacerto fiz meu samba enredo
Do velho som da minha surda dividi meus versos

Tristeza pé no chão

Clara Nunes=:/ ...
No popular=:/ ...

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Vergo-inha

Não deve ser muita novidade para quem me conhece que eu gosto muito, mas tipo, muito mesmo de Alanis Morissette.

Ai ontem fui assistir ‘Faustão’ (perdão deus e deuses) porque acredito que será o único jeito de vê-la, pelo menos nessa temporada no Brasil. Meu, que vergo-inha me deu ver o funil pronunciando o nome dela errado. 'Alani Morisseti'. Alani? Shame for you. Depois, enquanto ela cantava a música Hand in my pocket e ia fazendo os gestos que ela cita na música, tipo: sinal de paz, acendendo um cigarro, chamando um táxi... O povo burro gritava como se ela estivesse pedindo por gritos e aplausos. Mais, mais vergo-inha. O cúmulo foi um idiota ter tatuado Alanis nas costas. O cúmulo é que a tatuagem era horrível. O cúmulo é eu ter ficado pu-ta comigo mesma por ter assistido o idiota do apresentador começar uma pergunta sobre CRISE MUNDIAL e terminar a mesma pergunta com: quantas horas você dorme por dia?

Vergo-inha!

(...)

Enfim, acho que gosto porque ela usa palavras em inglês que ninguém usa. Tem um romantismo muito inteligente. Um jeito romântico-analítico-totalmente-interessante. Não tem problemas em escancarar sua insegurança, carência etc...

(...)

Tanta energia para provar à você quem eu, possivelmente, não conseguiria ser
Tanta energia para provar à você que eu não sou quem você odeia que eu seja

Eu não estou triste e eu não sinto a sua falta porque eu segui em frente também
Eu não estou preocupada com seu novo amor porque eu tenho um novo amor também

Doth I Protest Too Much,
Alanis Morissette.


Crise Mundial:=/ ???
No popular:=/ Veja essa crise mundial e blá blá blá, você acha que as pessoas vão se conscientizar e blá blá blá, porque deve ser muito agitada sua vida, afinal 'Alani', quantas horas você dorme por dia?
Urgh…

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

I told you

- Então você não percebe que só espero por uma resposta sua, como quem espera pela sentença? Que talvez nunca possa reparar em mim como um dia eu te reparei. E que me fazem falta sua mão sob a minha, seu peito perto do meu. As pernas macias e nuas junto com as minhas? Vai me dizer que nunca percebeu que sempre estive hipnotizado pela descrição de todas as coisas que só fazia sentido para você? Devo ser bom ator, consegui disfarçar minha melhor peça. A mais dramática de todas. Fingi a falta do choro, o excesso de risos. Os olhos mentiram muito bem, pois você... – Pausa - Você nunca percebeu.

- Sua insegurança sempre nos matou, Edward.

(...)

I cheated myself
Like I knew I would
I told you I was trouble

You know that I'm no good,
Amy Winehouse.

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

86

Se a minha vida fosse mais como 1986 tudo seria mais parecido com o que era no começo de mim
Se a minha vida fosse mais como 1986 eu planejaria um caminho para a pequena parte mais pura de mim

Romanticizing years ago...

Parabéns para mim!

83,
John Mayer.

86:=/ 23 years.
86:=/ 23 anos.

Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

A bagunça que eu preservo

Pra você pode ser indiferente, pode ser bagunça, um amontoado de futilidades, mas pra mim os menores bilhetes, as maiores cartas feitas à mão, as capas de cds antigos, as agendas que marcam os anos de 1900 e alguma coisa, a letra antiga, a anunciação das fases que vivi descritas ali, quando tinha 14 e poucos anos, são importantes.

Guardo cada pedaço de papel velho, amassado, amarelo e etc. Como se pudesse concretizar naqueles pedaços um pedaço do meu passado. São lembranças. São recordações do tempo de escola, do primeiro emprego, de tudo. Do tempo de amores infantis. Que hoje vejo que cresceram e continuam sendo infantis. São meus rabiscos. Só meus. E cada um com os seus.

(…)

What's the problem... why are you crying?
Perfect,
Alanis Morissette.

Meu:=/ O que me pertence.
No popular:=/ Quero ver quem tira de mim.

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Janeiros

Eu gosto do primeiro mês do ano. Gosto porque nasci dentro dele. Porque minhas melhores lembranças aconteceram em janeiro. Nos meus adoráveis janeiros dourados pelo céu ensolarado. A beira da praia. Com poucas roupas e muitos sorrisos. Foram nos janeiros de todos os anos que busquei todos os outros meses passados. Como se ele fosse minhas férias dos males que o homem pode provocar.

(...)

Já passaram dias, inteiros
Janeiros, calendário que nunca chega ao fim
Início sim e só recomeçar

Janeiros,
Roberta Sá.

Janeiros:=/ do latim Ianuarius, décimo-primeiro mês do calendário de Numa Pompílio, o qual era uma homenagem a Jano, deus da mitologia romana.
No popular:=/ Quando o ano deve começar...mas não começa. E por isso gosto tanto dele.

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Esse ano eu...

Eu encontrei luzes e sons que me fizeram vibrar intensamente enquanto meus pés dançavam sem controle algum. Esses sons, embalados por sensações alucinantes, me fizeram... viajar.

Eu dancei todos os tipos de músicas que poderia ter ouvido. Pulei e suei ao lado dos que sempre me quiseram bem. Pulei ao lado de amigos que me levam às loucuras mais loucas, e das amigas que me levam às reflexões sobre todas as coisas.

Eu vivi os homens mais atenciosos que poderia ter esbarrado. Esses que se deliciaram nas minhas poucas curvas. Que desenharam minhas costas. E depois de sentir meus cabelos nas mãos, acabavam acariciando meus lábios com os seus.

Eu chorei as mais dolorosas lágrimas já choradas. Por inúmeras vezes eu as encontrei no fundo do olho. Do olho raso, que preferia saltar a ser embargado novamente com as tais lágrimas.

Eu li todas as coisas relevantes que me deram. Me joguei em diversas personagens. Eu entendi como funcionam as cabeças de quem lê e quem escreve. Eu aprendi as benditas palavras que nunca foram ditas.

Eu verifiquei meus limites de mau humor e sarcasmo. Pude concentrar minhas energias para somente o meu bem. E apesar de continuar com a fama de ser má, pude me redimir em alguns aspectos.

Esse ano eu...

Eu devo ter brigado por algumas coisas que a minha teimosia insistia. Devo ter exagerado nas doses de displicência e desapego. Eu fui a cantora das minhas músicas e a leitora dos meus próprios textos. Talvez eu tenha me exagerado e... Talvez tenha sentido que perdi o sentido.

(...)

Mais um ano que me esbaldei do bom, do melhor e do não tão assim.

2008:=/ tchau.
2009:=/ oi.

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Vive melhor quem samba

Eu digo e até posso afirmar que vive melhor quem samba. Por isso, cantem todos como eu faço, perdoem os fracassos, a vida é tão curta. Enquanto se luta, se samba também, meu bem. E um bom samba é uma forma de oração porque o samba é a tristeza que balança. E a tristeza tem sempre uma esperança. A tristeza tem sempre uma esperança. De um dia não ser mais triste não.

Ele cura a dor que existe. Ele faz ela dançar e é o samba certo pra você cantar. Cantar porque é quente, harmonioso e buliçoso. Mexe com a gente, dá vontade de viver.

Porque o samba da minha terra deixa todo mundo mole. Quando se canta todo mundo bole. E quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Deve ser ruim da cabeça, ou doente do pé.

E mesmo não sendo baiana, ainda assim entro no samba e deixo a moçada com água na boca. Requebro direitinho, de cima, embaixo, reviro os olhinhos e digo: eu sou filha de são salvador. De são salvador. E quem samba, quem samba na beira do mar é sereia.

Com o samba sei que não vou tomar o poder, ganhar mais dinheiro, mudar o Rio de Janeiro, nem uma revolução eu vou fazer. Nem com milhares de sambas, eu faria você voltar pra mim. Mas nem por isso eu sambo em vão. Hoje meu samba tem cordão e meu bloco tem sem ter, e ainda sim... Sambo bem a dois por mim. Bambo só, mas sambo sim.

E já que trabalho em samba, vou cantando só pra te tocar. E todo dia vivo pensando em casar. Juntar as rimas como um pobre popular. Subir na vida com você em meu altar. E te acharei num samba, porque longe dele não posso viver. Com ele eu tenho, de fato, uma velha intimidade, se fico sozinho, ele vem me socorrer.

E se por acaso eu não puder pisar mais na avenida e se minhas pernas não puderem me aguentar, que levem meu corpo junto com meu samba. Entregarei meu anel de bamba para quem merecer usar. Só não deixe o samba morrer.

(...)

Ah, hoje tem samba no flamengo e meninas com seus peitinhos de pitomba.

Alguns trechos de músicas nas vozes de
Teresa Cristina e Grupo Semente, Vinicius de Moraes, Maria Rita, João Gilberto, Dorival Caymmi, Gal Costa, Clara Nunes, Ana Carolina, Los Hermanos, Marisa Monte, Paulinho da Viola, Alcione, Chico Buarque e Elis Regina.


Samba:=/ ...
No popular:=/ Se você gosta de samba, encosta e vê se dá.

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Minha vontade

- Tudo que vou levando é porque eu decidi e permiti que cumprisse seu curso... Entendeu?

- ... Sim.

(...)

Quero viver como um passarinho
Cantar, voar sem direção
Quando eu quiser construir meu ninho
Hei de encontrar um coração
Por enquanto eu quero viver com toda a liberdade
Saltando aqui, pousando ali
Essa é a minha vontade

Não, eu não quero prisão para o meu coração, eu não quero
Será bem triste o meu fim se eu não conseguir levar minha vida assim

Minha vontade,
Velha Guarda da Portela.

Direção:=/ Orientação; Lado para onde alguém se dirige; Rumo; Alinhamento; Direitura.
No popular:=/ Sem nenhuma.

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Folhas amarelas

Ontem terminei mais um livro. Esse de quase 500 páginas. Um livro velho. Daqueles amarelos. Que de 7 em 7 segundos te fazem espirrar. Sem capa. Ou melhor, com uma capa improvisada. Ele não é pop e por isso as pessoas do ônibus e metrô o olhavam discriminadamente. Se preocuparam com sua aparência horrenda e desgastada, com certeza. Mas não liguei. Continuava lendo, segurando os tecos e as páginas que quase se soltavam porque a história... A história era ótima.

Hap...
Alyssia Del Mar...
- não basta sonhar, não basta...


Toda vez que termino um livro é como se me despedisse de quem eu poderia ser ali, naquelas folhas. Depois sinto saudades da personalidade de cada um descrito ali, naquelas folhas.

E só me desapego quando pego novas folhas... ou folhas velhas.

Espirrar:=/ Ato de espirrar; Esternutação; Esguicho.
No popular:=/ Alergia.

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Beija eu

Não me importam as interferências. As súbitas interrupções e os intrusos.
Não me importam mais seus olhares tímidos que sempre me despem a alma para encontrar as respostas das suas dúvidas.
Não me importam os pecados que comete, muito menos seus desvios que sei que têm conserto.
Não me importa sua falta de coragem, pois eu, meu amor, tenho de sobra para nós dois.

Só o quero aqui, como todos esses anos. Todos os anos desde que nascemos e nos vimos crescer. De longe, perto, sempre dispostos a nos sorrir e hoje, a nos ampararmos.
Só quero te ouvir dizer as declarações emocionadas, como se precisasse expulsar a verdade do peito.
Só quero o último beijo para fechar o ano, e o primeiro para começar.

(...)

Seja eu, seja eu
Deixa que eu seja eu
E aceita o que seja seu
Então deita e aceita eu

Molha eu, seca eu
Deixa que eu seja o céu
E receba o que seja seu
Anoiteça e amanheça eu

Beija eu, beija eu
Beija eu, me beija
Deixa o que seja ser

Então beba e receba meu corpo no seu corpo
Eu, no meu corpo
Deixa
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça

Beija eu,
Marisa Monte.
Minha música mais preferida para o meu mais preferido.


Beija eu:=/ Receba meu corpo no seu corpo...
No popular:=/ Deixa o que seja ser...

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Minha perturbação moral

É como se eu fosse uma ampulheta. Que se renova, fica cheia e toda disposta a dar seus diversos grãos de areia para sua outra face. E quando fica vazia, mas cheia de espaço, pois tudo é uma questão de perspectiva, alguém lhe vira a bunda e faz descer os grãos, assumindo sua triste sina, pois de fato o fado da ampulheta é virar os que antes estiveram embaixo, depois em cima e que agora caem.

Os grãos caem por algum motivo. Seja pela gravidade, ou pelo simples peso de todos os outros que, juntos formam uma massa. Essa que precisa ser dissolvida em outro canto porque pode-se causar um entupimento desnecessário. Mas pensando bem, seria bom se entupissem. Assim não aparentaria o desgaste de começar a cair novamente os mesmos dolorosos grãos pelo misero buraco, simulando o desvairar da felicidade. E também assim, os últimos não cairiam como lágrimas sofridas. Ficariam lá em cima, lutando para se manter intactos naquele espaço aparentemente feliz por ser o topo.

E tudo num tempo milimetricamente previsível.

Mas depois dos grãos fazerem essa peregrinação, você se pergunta: até quando devo virar a ampulheta e fazer girar esse círculo tão vicioso?

Quando aquele lado se acaba eu o renovo e começamos um fim tão predestinado quanto o próximo começo... – eu disse.


(...)

E é porque sempre me doou. Porque sempre me enrolo naqueles mesmos lençóis. Porque sempre rodopio e paro ainda saltitante. Porque ainda haverá voltas e revoltas. Porque generalizo os fatos. Porque minha insegurança é estúpida demais.

(...)

Ás vezes a melhor escolha é não continuar virando-lhe a bunda... – eu disse, virando-a.

(...)

É que eu já sei de cor
Qual o quê dos quais
E poréns, dos afins, pense bem
Ou não pense assim

Eu zanguei numa cisma, eu sei
Tanta birra é pirraça e só
Que essa teima era eu, não vi
E hesitei, fiz o pior
Do amor amuleto que eu fiz
Deixei por aí
Descuidei dele, quase larguei
Quis deixar cair

Paquetá,
Los Hermanos.


Revoltas:=/ Grande perturbação moral; Indignação;
No popular:=/ Do imbróglio que quiproquó. E disso, bem, fez-se esse nó.

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

15

Essa semana, por um motivo bem especial, comecei a lembrar da época que tinha 15 anos. Tudo bem que não faz tanto tempo assim, se somados os anos faz apenas 7 anos que me despedi dessa idade. (7 anos não é muito, é?)

Percebi que o que antes eram considerados ‘dias anteriores’, se transformaram em passado, em memórias, em lembranças. E é estranho quando um tempo que parece ter acontecido há pouco passa a ser considerado nostálgico, e por adorar tanto essa nostalgia você se dá conta que é mesmo muito saudosista.

Quando tinha 15 anos eu já sabia e entendia alguns dos meus desejos. Entendia que sempre iria querer viver um grande e intenso amor e me casar com ele. Sabia que antes disso acontecer eu iria conhecer muitos homens, que iria prová-los, tentar entendê-los e até sofrer por eles. Sempre achei o sofrimento com lágrimas e reclusões no quarto escuro um romance digno de cinema, de músicas, de livros.

Sabia que penderia para uma profissão mais intelectualizada, só não tinha certeza que o jornalismo viria a ser a minha primeira opção no vestibular. Me considerava madura para a idade, mas não vivia adultamente, eu gostava de vestir meus 15 anos. Era tímida, olhava com olhar semi-serrado para os meninos da escola, esses que cortejavam e sorriam seus sorrisos mais abundantes para mim.

Aos 15 eu já trabalhava, comprava minhas roupas e sentia estresse. Ainda gostava das boys band, mas já me identificava com o target da Alanis Morissette e Legião Urbana. Foram minhas primeiras músicas inteligentes. Nessa época eu já queria saber mais sobre as coisas e já entendia os comerciais da televisão sem o auxílio do meu pai. Também andava sozinha pelas redondezas do meu bairro e já havia experimentado algumas proibições.

Quando eu vivia meus 15 anos, se me lembro bem, eu dançava e me entusiasmava com Shakira.

(...)

Las mujeres se casan
Siempre antes de treinta
Si no vestirán santos
Y aunque así no lo quieran
Y en la fiesta de quince
Es mejor no olvidar
Una fina champaña
Y bailar bien el vals

Y bailar bien el vals

Pies Descalzos,
Shakira

Quinze anos:=/ Debutante.
No popular:=/ As mulheres se casam sempre antes dos trinta, senão ficarão solteironas e ainda assim que não queiram. E na festa de 15 é melhor não esquecer um fino champagne e dançar bem a valsa. E dançar bem a valsa.

Domingo, 16 de Novembro de 2008

Saudade da latina

De repente deu uma vontade de voltar para aquele lugar e sentir o cheiro e talvez o gosto dos charutos mais fortes e pesados. De dançar com os homens mais cheirosos e ouvir seus sotaques porto riquenhos, argentinos, peruanos e mexicanos no pé do ouvido. De remexer com as músicas que não faço idéia o que dizem, mas o ritmo é tão envolvente que parecem falar da sua vida romanticamente e melosamente, como eu aprecio.

De repente deu uma saudade de experimentar os mojitos e de passar a noite com as piña coladas e tequilas. De voltar pra casa quando estiver amanhecendo e dar risada das milhares de voltas que demos no salão ao embalo das cubanas, das latinas. Das latinas.

(...)

Que manera de amar sorprendente, te quiero llevar
Que es tanbuena y tan noble mi gente, te voy a enseñar
Que en mi pueblo latinose siente el calor del abrazo de cielo
Y se cuelga el amor de un lucero yamanece brillando en el suelo

Y es mi forma de amar latino

Amor Latino,
Carlos Vives


Latina:=/ Relativo à língua latina;
No popular:=/ Saudade da música latina;

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

The way we were

Ela cruzou com ele numa avenida movimentada, encarou a expressão preocupada e perguntou à ele, ‘por que não eu?’. Depois de ouvir a resposta, acabou consentindo com a escolha simples, virou as costas e entendeu o motivo da covardia evidente na personalidade daquele homem.

Algumas vezes, alguns homens preferem a simplicidade de relacionamentos que aparentemente não insinuam perigo. Preferem a simplicidade que resulta na falta de emoções e a descomplicação de enrolos que há muito existem. E talvez por preferirem a comodidade e a falta de empenho em fazer um amor de verdade acontecer, as escolhas racionais, por serem mais seguras, são devidamente substituídas pelo que antes já foi surpreendente.

Como pode duas pessoas viver noites tão perfeitamente encaixantes, conversas tão restritamente íntimas e cumplicidade tão extremamente telepática, se a escolha desse tipo de homem tende para um tipo de mulher que não intimida por ser tão mínima?

Percebo que existem dois tipos de mulheres: a simples, preferência dos homens covardes, e aquelas que nunca serão domadas e que sempre serão temidas. Por isso não deixo de perguntar: de que vale um homem escolher a opção simples e passar a viver tão seguramente, se o determinado amor, aquele que mais parece paixão ardente, de pele, carne, osso e espírito, lhe couber somente nos sonhos? E de que vale saber o que virá amanhã se o peito ficará sempre apertado, sabendo que o melhor é a crescente troca de experiências e cuidados?

Quem sabe se o responsável por essa escolha seja o medo. E de certo que ele deixa qualquer um acuado, porém, se souber virar a seu favor, pode se transformar em estímulo ao invés de recuo.

Vai de cada tipo de homem, e de cada tipo de mulher escolher qual escolha deverá ficar estampada em suas caras.

(…)

Mas antes de se virar e partir, ela ainda passou as mãos sobre alguns fios de cabelo que caiam naquela testa e disse ‘your girl is lovely Hubbell’. Ele franziu suas poucas linhas de expressão e respondeu ‘i don’t get it’. E ele nunca entendeu.

Qualquer semelhança da vida real não é mera coincidência.

(…)

Memories
May be beautiful and yet
What's too painful to remember we simply choose to forget
So it's the laughter we will remember
Whenever we remember the way we were

The way we were,
Barbra Streisand.

Simples:/= ...
No popular:/= Sua garota é adorável Hubbell.

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Então tá, irei...

Então tá. Irei relembrar os velhos tempos. Irei te beijar e também outras pessoas. Como eu desejar. Será feita a minha vontade. Assim, quem sabe passarei mais uma tarde que ficará na minha memória badalística.

Esborrifarei meu melhor perfume e esbanjarei loirinhas pela avenida. O sol prometeu estar imperdoável e queimará todo pedaço de carne desnudo.

Meus pés sofrerão o meu próprio peso e se encarregará de carregar os cinqüenta e poucos quilos saltitantes, animados e excitados.

Badalística:=/ Um tipo de memória seletiva sobre as baladas mais peculiares que freqüentei.
No popular:=/ Eu inventei esse termo, e daí.

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Mudo, não mudo?

Estava pensando que ‘poderia’ mudar a linha editorial do blog. Quem sabe se eu abordasse temas compromissados com a atualidade sociológica e abolisse a minha atualidade fisiológica? Quem sabe se passasse a comentar sobre os assuntos correntes na vida da cidade, do país, do mundo das celebridades ou só do mundo? Quem sabe assim eu ganharia pontos a mais no ibope do meu singelo site? Ou se colocasse fotos de biquíni, fotos mandando beijo ou abraçada com meus homens numa casa noturna qualquer. Quem sabe se eu mudasse as cores laranjas para os rosas bebê e pink? Na parte musical eu mencionaria o teatro mágico (porque o teatro mágico é considerado pelos desprovidos a música popular brasileira mais bonita que já ouviram).

Dadas as opções, se escolhesse a primeira abordaria a política como base. Apresentaria as minhas considerações sobre as eleições municipais que me frustraram. Falaria sobre os candidatos que fizeram da campanha um picadeiro recheado de manobras engraçadíssimas e do desfecho mais mirabolante que poderia acontecer em prol dos partidos de direita.

Mas se enjoasse da seriedade dos dias rotineiros eu me entregaria para a superficialidade e postaria, enfim, uma foto quente que tirei semana passada numa festa empolgante e censurada para os menores de idade.

Hum... seria estranho.

(...)

Os meus ‘poderia e quem sabe’ se deve ao meu incômodo com a comodidade que a rotina tomou do ro-tina.

Apesar de ter alimento para suprir suas estruturas alaranjadas, às vezes ele me parece egoísta e, algumas raras vezes, me causa estranheza. Narcisismo? Quem sabe eu não seja de fato egoísta e aqui é o reflexo dela?

Que mal tem?

Linha:=/ Traço contínuo, visível ou virtual; A extensão considerada com uma só dimensão ou comprimento; Risco; Fio de linho; Qualquer fio de algodão, seda, lã, etc.
No popular:=/ Gosto da expressão ‘linha tênue’, tênue. rs.

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Como lembrar de você e não sorrir?

Tem algumas músicas que te fazem lembrar de tempos guardados e quase esquecidos. Seja porque ao ouvi-la você se lembra dos cheiros e sensações. Lembra de como a vida num determinado tempo era tão fácil de se ajustar com seus desejos que até esquece, ao invés de lembrar dos problemas.

Lembra do gosto do beijo, de como se encaixa nos lábios, no peito, coração e pernas que se entrelaçam. Mesmo se essa música seja nova e não tenha tocado no momento do qual tanto se lembra quando ela toca e te toca.

Mesmo que ela não inspire credibilidades musicais por ser pop de popular. Mesmo assim.

(...)

Como mostrar que te quero pra mim?
Como dizer tudo que eu preparei?
Como fingir se eu já me entreguei a você?
Quando me debrucei nos teus braços e descansei
Como lembrar de você e não sorrir?
Como falar de você e não cantar?
Como saber se é certo sonhar com você?
Se eu devo seguir os seus passos e acreditar
No amor que escolheu a nossa casa pra morar

Faltando um beijo,
Banda Eva.

Lembrar=:/ Trazer à memória; Recordar; Comemorar; Advertir; Sugerir; Admoestar;
No popular=:/ Está ali constantemente.

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Como lhe quero tanto

Estou me arrumando para a loucura. Estou me arrumando para cantar as músicas que sempre desejei cantar naquele ouvido que conheço desde que nascemos. Estou me arrumando porque só depende de mim e em cinco minutos estarei pronta.

(...)

E eu sei que você sabe quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso palavras repetidas
Mas quais são as palavras que nunca são ditas?

Me disseram que você estava chorando
E foi então que eu percebi como lhe quero tanto

Quase sem querer,
Legião Urbana.

Loucura=:/ ...
No popular=:/ ...

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Deixa o verão pra mais tarde

Não sei porque insisto tanto em pedir por calor. Não sei mesmo já que, quando ele abafa meus dias, acabo sempre reclamando que a testa está molhada demais pra ser verdade. Peço, talvez, porque me sinto livre das amarras de lã ou veludo e que só quando ele vem é que posso cobrir minha barriga e pernas com tecidos tão finos que se tornam reveladores.

Mas há de convir que 40 graus pela manhã e 50 pela tarde é o cúmulo do pedido literalmente levado a sério.

(...)

Enquanto eu fujo você inventou qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai que esse sofá tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde

Deixa o verão,
Los Hermanos.

Calor=:/ Quente, quente, quente...
No popular=:/ Como diria Alanis: And is it just me, or is it hot in here?

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Talvez seja porquê...

Eu não sei porque gosto tanto daqueles olhos castanhos mais verdes que já conheci. Eu não faço idéia como consigo me aconchegar perfeitamente naquele corpo magro e ao acordar pela manhã, amá-lo com a mesma disposição das noites anteriores. Eu não entendo o que ele tanto diz ver em mim e não poderia explicar o porquê de tudo que também vejo nele.

Talvez seja porque ele cuidou de mim numa certa noite. Ou porque me beijou com lábios macios e me encheu de chocolate. Pode ser também porque quando entro em seu carro ele me aperta e pousa sua mão sob a minha perna para nunca cessar o contato físico. Porque para me encontrar ele só atravessa a cidade e mesmo assim chega com o sorriso mais carinhoso que já recebi.

Quem sabe seja porquê ele me leva ao cinema e assiste comigo um filme nada compatível com o seu gosto. Ou não, deve ser porquê quando ele disfarça e me olha da cabeça aos pés, acaba lançando depois os elogios mais gostosos de se ouvir.

Porque ele não se preocupa em parecer desatualizado na minha frente e discute política como se estivesse falando sobre uma boa partida de futebol. Ou será que é a sua maturidade que transcende dos poucos anos que possui? E por isso faz cair por terra minhas teses de que homem mais velho é o tipo de pedaço que mais me completaria?

É bem provável.

(…)

Oh you crawled out of the sea straight into my arms
Straight into my arms

Crawled out of the sea,
Laura Marling.

Você=:/ You.
No popular:=/ Você se rastejou para fora do mar diretamente para os meus braços. Diretamente para os meus braços.

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Teoria do desejo comum

Assim como eu, todos querem a mesma coisa que todo O Mundo quer. Se não fosse assim os sonhos singulares morreriam sem ser compartilhados. Digo isso porque acredito piamente que o ser humano só celebra a conquista alheia quando essa é compatível com a sua vontade também. Pode parecer egocêntrico, mas nutrimos um egoísmo absurdo que nunca é revelado para não causar estranheza e isso é muito óbvio.

Por isso considero todos os desejos do Mundo como únicos e eles independem de credo, nível intelectual, rompimento do senso comum ou qualquer outra coisa do gênero.

(...)

E alimento mesmo vontades patéticas que sei que são comuns a todos, como por exemplo, poder trabalhar de pijamas todos os dias da minha vida, colocar uma aliança dourada no meu dedo ou ganhar o box completo das temporadas de Sex And The City.

(...)

Não acredito em nada, não
Até duvido da fé

Não quero luxo nem lixo
Quero saúde pra gozar no final

Nem luxo, nem lixo,
Rita Lee.

Vontade:=/ Persuasão íntima;
No popular:=/ Todo mundo quer o que todo mundo quer, e no final o objetivo é gozar mesmo, ué.

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Essa moça tá diferente

- Como você está? Depois de tantos anos sem lhe ver acredito que suas idéias sobre todas as coisas devam ter evoluído bastante, certo?

- Acredito que sim. Andei lendo alguns livros, mas juro que não me atento aos nomes dos autores. Quanto a algumas fontes de informações que antes me eram vitais, abdiquei de entendê-las ou compreendê-las, não se pode acreditar em tudo que lê. Sabe que gosto de teorias, não? E teoria da conspiração me parece a mais louca dessas viagens, por isso, hoje mesmo assisti um documentário que revelava, com provas, que o governo dos Estados Unidos foi responsável pelo atentado do dia 11 de setembro. Mas o mais engraçado é que não se trata de uma teoria. Além do lado escrito, a parte cantada anda me fascinando os ouvidos. Como já deve ter percebido, gosto de descobrir cada música por si só. Uma a uma, e do meu jeito, no meu tempo. Pode até ser que o que eu esteja ouvindo já tenha calejado nos ouvidos mais experientes. E que, o que é novidade pra mim, para muitos pode soar como uma descoberta tardia. Não me importo. Assim segue-se qualquer evolução, não é mesmo?

- Não falava sob essa perspectiva.

(...)

Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás

Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar

Essa moça tá diferente,
Chico Buarque.
Perspectiva:=/ ?
No popular:=/ cada um com a sua.

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Uma, qualquer uma

Pois ia Amelie naquela via cheia de carros para um lugar que ela não fazia idéia onde ficava. O caminho e a proposta lhe pareciam bastante atraentes, mas ela comprimia sempre seus lábios quando o moço ao seu lado fazia as curvas e comentava sobre suas músicas prediletas. Talvez ela quisesse alguém que não aumentasse tanto a velocidade das coisas e alguém que pudesse entender que as suas músicas falavam e as dele, as dele não.

(...)

Amor que nunca cicatriza, ao menos ameniza a dor que a vida não amenizou
Que a vida a dor domina, arrasa e arruína
Depois passa por cima, a dor, em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural

Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma, qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal
Meu coração precisa

Cicatrizes,
Roberta Sá.

Cicatrizes=:/ Vestígio que deixa uma ferida depois de curada; Vestígios deixados na haste pelas folhas ou ramos que caíram; Impressão duradoura de uma desgraça ou ofensa;
No popular=:/ A vida a dor domina;

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Ela². Ro-tina

Na cama, com as costas apoiadas na cabeceira, ela acordou. Reparou o lençol desarrumado, semi cobrindo seu corpo semi nu, quase em cima dos dois seios. Ali, colocou um cigarro de filtro branco nos lábios com restos daquilo que foi maquiagem e precisou de três tentativas para acender o isqueiro. Calma, a chama alcançou a ponta do enrolado de nicotina e alcatrão. Deu a primeira tragada, de leve. Soltou a fumaça, que parecia se transformar em um desenho. Ela estava tranqüila, até demais. Na verdade, se reprimia por ser assim, tão fria. Não havia nascido com esse dom, mas seria capaz de parir alguém sem esboçar nenhum sentimento, fora a dor, óbvio. Mas faria, com o mesmo desdém que agora sentia por ela, deitada ao lado.

Where Did You Sleep Last Night tocava baixo, bem baixo, apenas seus ouvidos faziam necessidade de escutar.

O espelho refletia, fazia seu trabalho. Pensou em procurar algo na memória, algum pensamento que ainda necessitava ser repensado, havia acordado muito cedo, as frestas na janela ainda nem tinham a cor amarelada de sempre. Abaixou a cabeça, reparou nas marcas em sua cintura e voltou a olhar o reflexo do vidro espelhado. Pensou num esconderijo. Pensou num bom punhado de erva. Pensou num bom copo de conhaque sem gelo. Seu alívio era saber que talvez tivesse ultrapassado o limite do pudor.

Aquele corpo, que há horas havia sido sugado de forma intensa, já dava sinais de vida. Também trazia marcas na cintura. Mais fortes, é verdade.

Olhou com calma a obra de arte que a situação se transformava. Olhou ao lado e teve vontade de ir embora. Sentiu nojo. Sentiu vontade de roubar a própria chave. Calculou o tempo que Mark Renton levaria pra refazer tudo aquilo. Optou por olhar novamente o espelho e sorrir, um lindo sorriso, mas ainda pensou o quão ridícula era.

My girl, my girl, don´t lie to me!
Tell me where did you sleep last night
In the pines, in the pines
Where the sun don´t ever shine
I would shiver the whole night through

My girl, my girl, where will you go?


Conhaque:=/ Aguardente de certa uva.
No popular:=/ "Duplo. Sem gelo, por favor."

.
postato por luca de oliveira.
- senhor, seu troco!

.

... nossa de cada dia

"Minha única diversão era procurar lugares de onde eu pudesse ver, nos fins de tarde, o pôr do sol. Não perdi um. No topo de edifícios, nas praças, nos morros. Via a cidade, o céu e o avermelhado do pôr do sol. Não sei por que fazia aquilo. Aliás, eu nunca sabia por que fazia uma porrada de coisas. Mas eu gostava de ver muitas tonalidades que o céu ganhava nos fins de tarde. Gostava principalmente de ver o sol afundando no horizonte. "O sol não é apenas novo a cada dia, mas sempre novo continuamente", era o que estava pixado numa pracinha. O universo em expansão. Assim são as coisas.

Um dia eu quis mais, muito mais. Fui ao mirante do Pico do Jaraguá. Lá eu via tudo. A cidade imóvel e o céu se transformando a cada minuto. As luzes da cidade piscando, a luz do sol explodindo. As ruas sem saída, o infinito do universo se expandindo contra as forças. A lei da desordem, da perfeição, do equilíbrio, da entropia. Eu desejava ser uma parte dele. Eu gostaria de ser tudo. Menos um sujeito perdido numa cidade perdida num deserto de tijolo. A cidade me deixava vazio. O Universo, não. Entropia... Perfeição."

Entropia:=/ Medida da quantidade de desordem dum sistema.
No popular:=/ Então... é por ali, né?

.
postato por luca de oliveira.
- senhor, seu troco!

.

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Ela. Ro-tina

Ela acordou e fez o esforço suficiente para abrir os olhos. Rápido, constatou que permanecia viva, talvez isso já bastasse para o começo do dia, que poderia muito bem terminar por ali. Seu maior desejo era que seu piscar de olhos, hoje, durasse cinco minutos; seus passos, hoje, trinta segundos; suas palavras, hoje, cinco ou seis tapas na cara de alguém.

- Filhos da puta! - Ela gritou. Ainda deitada, ainda de olhos abertos, ainda viva.

Sua casa é daquelas que o sol não penetra nenhum de seus raios sem que uma fresta seja aberta. Na escuridão escovou os dentes (ou apenas mudou o gosto de sua língua?). Na escuridão deu bom dia aos pés procurando algo que fosse cosmestível dentro da geladeira.

Hoje, ela pode sentar no sofá, encher sua camisola preta com os pêlos brancos da gata e não se importar. Deixar o telefone tocar, deixar tudo se foder. Deixar o mundo acabar.

- Filhos da puta, o mundo pode cair, caminhar em direção ao sol. Quero mais é que vocês tomem tudo no cú. - Ela falou baixo, mudou de canal, abaixou o volume.

Volume:=/ Unidade de uma obra impressa que pode coincidir ou não com o torno. Pacote, Fardo. Intensidade. Medida do espaço ocupado por um sólido.
No popular:=/ Não importa. Você vai querer mais!

.
postato por luca de oliveira.
- senhor, seu troco!
.

O troca-troca

– senhor seu troco invadiu este blog. Assim como ro-tina invadiu o blog amigo.

Num momento (nada raro) de pura ociosidade, a brilhante idéia do troca-troca surgiu afim de amenizar o tédio sentido por ambas as partes. Bem que o conceito do ‘troca-troca’ aqui poderia estar relacionado às orgias praticadas por casais em casas de swing. Não é pra tanto. Apesar do tédio nos consumir diariamente, rotineiramente e casualmente nós não chegamos ao limite do imprevisível. Então, sinto decepcioná-los, mas o termo se deve a troca de blogs. Por cinco dias úteis o blog ro-tina será do – senhor seu troco. E – senhor seu troco será do ro-tina.

A idéia veio não só pelo capricho da mudança de ambientes, mas sim para nos distrairmos e assumirmos, durante um pequeno espaço de tempo, o estilo um do outro. O regulamento é simples: se por acaso escrevo tão melosamente, o convidado do blog deverá assumir-se meloso. Ora, se o outro se manifesta assim, tão crítico, deverei me empenhar no papel que ele exerce.

Isso porque nós, jornalistas metidos a blogueiros, gostamos de usar esse espaço tão singelo para expressar mínimas opiniões. Tão mínimas que tanto faz se somos lidos frequentemente ou não. O importante é participar, seja onde for, seja onde estiver.

Vamos às postagens...

Atenção! Espero ler algumas coisas legais por aqui nos próximos dias.

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

O Beijo [parte III]

- O que faz aqui? – disse Ian num tom perturbador.
- Vim buscar as coisas que deixei para trás. Me fazem falta e acredito estarem ocupando espaços úteis.

Sem deixar de encará-la, Ian deu um passo para trás e fechou a porta para evitar que Estela acompanhasse o pequeno desconforto que começava a se instalar no quarto. No espaço desse segundo Sofia conseguiu rodar seus olhos por todo aquele corpo e desejou descansar suas mãos nas linhas que desenhavam os braços, peito e pernas. Ainda com os olhos atentos, desejou também beijá-lo até esquecer a terrível pausa que estavam sofrendo. Notou que ele vestia uma camiseta quase que surrada de cor branca e seu jeans, apertado, salientava o que ela fazia mais questão de sentir naquele momento. A roupa despojada denunciava o estilo de vida que ele mantinha. Era simples, de poucas palavras e os hábitos que alimentava não incluíam coisas superficiais. Preferia se deleitar de uma música aconchegante, macia e envolvente a sair pelas ruas na vontade de degustar de uma noite badalada.

Fechada a porta ele seguiu em sua direção e titubeou se devesse ou não dar o passo que certamente faria seu corpo esbarrar no de Sofia. Imóvel, ela conseguiu sentir a respiração e pode reparar que os olhos dele estavam mesmo cansados. Ian puxou uma das mãos suaves de Sofia e a fez pousá-la em seu peito esquerdo.

- Sente isso? – perguntou baixo, quase sussurrando.

Ao responder que sim num balançar da cabeça, Ian arqueou as sobrancelhas e espremeu os lábios como quem concorda com a pergunta e com a resposta. Depois juntou sua boca na de Sofia e cobriu com os dois braços as costas desamparadas. Pareciam se envergar de tanto que queriam e tentavam entrar em seus corpos com apenas um abraço e um beijo que lambia as línguas, os lábios e a alma. O gosto ainda era o mesmo. E as sensações eram das mais diversas. Por um lado, Sofia o queria como do começo, mas por outro, não podia suportar a idéia de voltar para o lar que antes havia sido doce, mas que hoje era amargo e nublado. Ainda com a boca ocupada ela analisava e repensava toda a sua história e descobriu quão injusta seria se levasse o beijo para a cama tão próxima e tão carente dos seus fluídos. Uma das mãos, que nessa hora já amarrava os cabelos de Ian, seguiu para os ombros e o empurrou, cessando o magnetismo que ele, como sempre, emanou.

(...)

Pousar=:/ Pôr, colocar; Assentar; Descansar; Alisar (o carnaz da pele);
No popular=:/ Quando a minha mão pousa em seu peito...

Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Ninguém soube cantar

Pra sambar não precisa de muito esforço. Ninguém precisa ser um verdadeiro sambista pra gostar de samba. E também não preciso ter na pele uma cor que influencie meu remelexo. Não.

É só farfalhar os pés no chão. Depois sentir que a cintura acompanha o batuque do pandeiro. No miudinho. Com as mãos e braços saudando e celebrando. Sem esquecer do sorriso aberto, molhado da loirinha que alegra a rapaziada.

Mas também pode ser assim, só de cantar. Só de ouvir. Só de gostar.

(...)

Quebrei a cara, queimei a língua, dei meu braço a torcer ao lhe ver sambar.
Quem diria que essa paulista tivesse um gingado de beira-mar?
Fiquei boquiaberto, olhei de mais perto.
Como é que eu tive coragem de duvidar?
Se existe pro samba um túmulo aqui certamente não é o lugar.

Olha só o rebolado que a garoa dá.
Jeito atarefado e formoso de andar.
A carioca e a baiana já põem pra quebrar, mas o que a paulista tem ninguém soube cantar.

E eu já percebi.
Morena paulista vem sambar.

Morena Paulista,
Jairzinho.

Paulista=:/ Habitante do Estado de São Paulo.
No popular=:/ O que a paulista tem ninguém soube cantar.

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Those Photologs

Não é triste ver relacionamentos onde o que menos impera é a intelectualidade dos envolvidos? É engraçado porque quando existe essa falta de intelecto entre um casal, por exemplo, é fácil notar que ela logo transcende do âmbito ‘da carne e do osso’ e se instala nos canais onde outros indivíduos possam visitar com frequência. Daí surge a pergunta: será que os desprovidos de raciocínio mais lógico seriam tão burros de expor suas deficiências publicamente?

A resposta é afirmativa. Sem muito esforço vão abolindo suas condições de anônimos e montam lugares onde ostentam suas intimidades mais gostosas para quem quiser acompanhar. Como? Sítios de fotos. Todas posadas e mal tiradas, com o nítido objetivo de exibir a máxima otimização de uma felicidade efusiva! Felicidade essa que com certeza é bastante desproporcional para os personagens envolvidos. Talvez o nível de substâncias seja o responsável por provocar os beijos nada sutis, mas mesmo assim desproporcionais -, como insisto em dizer.

Fato é que existem os que não gostam ou, simplesmente, não sabem se expressar por meio das palavras e preferem a fotografia para o uso absoluto da exposição de sua criatividade. OK! Mas seria pedir demais um pouco de inteligência ao mostrá-las para os mais entediados dos internautas? Não, isso seria espremer e exigir dos neurônios frases conexas e concordantes e, principalmente, frases que juntas pudessem, enfim, representar alguma coisa. Deveria ser terminantemente proibido o ‘dizer por dizer’, ou o ‘escrever para constar’! Mas, ao invés de tentarem se sobressair, preferem ficar na mesmice e atingem o talo do senso comum. Pobres. Isso, para mim, é o cúmulo da negligência pelas coisas bonitas que podem realmente estar acontecendo.

(...)

Ás vezes acho ser critica demais pelo prazer de ser. Mas, analise a verdade junto comigo: não é frustrante quando alguém acha que está abalando as estruturas do html quando solta chavões ou quando conta sobre suas baladas fodásticas num ar tão, mas tão exagerado que chega a ser duvidoso?

(...)

Confesso ter um ‘senso de humor ciumento’, como diria uma passagem de um livro que li há pouco.

Senso comum:=/ Primeira compreensão do mundo e resultante da herança fecunda de um grupo social e das experiências atuais que continuam sendo efetuadas;
No popular:=/ O que permanece alienado às suas próprias coisas mesquinhas de sempre! Aquele que reproduz as falas alheias. É o idiota que escreve como se estivesse num papo aberto do msn. É quem não tem visão aguçada para defender suas próprias teorias e por isso fica lá, ocupando espaço no mundo.

Domingo, 24 de Agosto de 2008

O Encontro [parte II]

Atravessando a rua ela notou como as faixas brancas da faixa de pedestre ficam bem no chão cinzento do asfalto. Sofia sempre gostava de notar os realces das cores em tudo. Nos objetos mais pequenos até nas criações maiores, desenhadas com o objetivo de ser uma peça de arte. Dadaísmo puro, pensava. Mas admirava mesmo assim.

Ela chegou até aquela rua e tirou da bolsa grande um batom vermelho. Tratou de passar sob os lábios sedentos e depois entrelaçou os dedos nos cabelos volumosos. Ajeitou mais uma vez aquela mecha insistente e se preparou, primeiro psicologicamente, para tocar a campainha da casa e encontrar, pela última vez, aquele maldito. Encarava aquela porta marrom e antes do próximo passo olhou a sua volta e reparou que as pessoas ali tinham uma costumeira lentidão. Aquela rua tinha uma beleza diferente. As casas tinham fachadas sóbrias e em frente de cada porta morava uma árvore com milhões de folhas que se balançavam incessantemente. Se lembrou de como aquele lugar era acolhedor. Por muitas vezes acordou no outro lado da porta marrom e, ao abri-la seguia até seu trabalho desejando voltar para o aconchego de tudo. Da cama que ela dormia até para o ar puro, conseqüência das diversas árvores dali. Mal percebeu que ficou por quase três minutos lembrando as cenas passadas naquela vila inspiradora. Adorava mesmo aquele ambiente relaxado, cheio de paz, e acima de tudo, porquê ali ela vivia com o homem que amava tanto.

O porte de Ian atraia sempre as mulheres mais alvoroçadas. É como se houvesse um magnetismo que emanava sensualidade através dos seus poros. Quando ainda era adolescente, sempre dizia aos seus amigos que queria conquistar todas as mulheres do mundo, mas que se casaria somente com a mais selvagem de todas. Um dos amigos sempre o provocava. Dizia que a selvageria de alguma mulher certamente o destruiria porque esse amor poderia não só dominá-lo como cegá-lo. Ele rebatia com argumentos fracos, - “Basta ter opinião, caro amigo. Nenhuma mulher chegará até o topo.” No auge da sua promiscuidade ele conheceu Lorena. Era linda, bronzeada, cabelos longos e negros, fogosa, mas limitada. Na cama era selvagem do jeito que ele precisava. Mas fora do quarto ela tinha uma postura bastante submissa. Decidiu, depois de muito pensar, tentar namorá-la. Foi assim por oito longos meses. Quando percebeu que aquela relação não passaria do nono mês, ligou para Lorena e disse que ela não era o que ele achou que fosse. Não quis ouvi-la chorar histericamente no seu ouvido e desligou o telefone. Nunca mais a viu, a ouviu ou lembrou dela. Tinha o dom do desprendimento absoluto.

Sofia levantou seu dedo indicador e tocou a campainha. Ficou aliviada por estar com uma blusa grossa por cima de seu peito, pois tinha certeza que seu coração batia forte o suficiente para qualquer um perceber o volume que ele fazia no seu colo ossudo. Tampou o olho mágico da porta e esperou que ele a atendesse surpreso com a sua visita tão repentina, imprevisível e também tão inconveniente. Ouviu o barulho da chave girando. O coração pulava para fora quando a porta se abriu. Não era Ian quem atendera, mas sim Estela, a empregada que quinzenalmente limpava aquele cubículo aconchegante e repleto de livros.

- Dona Sofia, não esperava que viesse... Doutor Ian não está...
- Realmente é uma pena Estela. – disse ironicamente – Como está?

Enquanto trocava meias palavras com Estela ela foi se esquivando aos poucos para dentro do quarto que um dia havia sido seu também. Depois da conversa superficial, Estela tentou repreende-la dizendo que talvez seu patrão não gostaria de saber que ela esteve em sua casa depois de tudo que havia acontecido, e que, apesar de saber muito pouco, imaginava que sobraria para ela o peso da intromissão. Sofia mal deu atenção e pediu privacidade por um tempo. Estela obedeceu receosa e continuou com os afazeres.

Passou as mãos sob a colcha branca dobrada e ajeitada no final da cama e se sentou numa poltrona. Arrumou uma almofada nas costas para ficar mais confortável e foi passando as mãos em tudo que conseguia alcançar para sentir a textura das coisas que ocupavam o lugar. Olhou para as escrivaninhas que ficavam ao lado da cama e percebeu que uma delas ainda servia de consolo para um porta-retrato que tinha uma foto sua. Fechou os olhos e parou de sentir aqueles objetos para, somente, se sentir em casa mais uma vez. O quarto parecia ter bastante da sua personalidade, e ela sabia que Ian não se conformaria com isso e logo tentaria mudar todas as características. Não se concentraria se trouxesse outra mulher para cá, imaginou.

Passou a ouvir uma voz discutindo com a voz de Estela, e essa vinha da sala. Quando ameaçou se levantar da poltrona, Ian abriu a porta no mesmo segundo que ela abriu seus olhos. Ela se levantou e encarou aqueles olhos grandes, negros, duros e cansados. Se fitaram por alguns segundos, calados, parados, até que ele rompeu o silêncio.

(...)

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Pela manhã [parte I]

Quando os ponteiros do relógio disseram que havia amanhecido, ela acordou com um ar assustado. Talvez não devesse ter pulado do jeito que pulou da cama, mas foi inevitável o susto que seu celular provocou ao roçar na sua fronha ao despertar. Pôs as mãos na cabeça para arrumar os fios rebeldes e se lembrou que seu dia seria calmo se assim quisesse, e que não precisava correr tanto para se ajeitar.

Devagar foi fazendo seus serviços automáticos e se lembrando da noite anterior. Como podia ter deixado aquilo acontecer? – franzia a testa ao reviver os diálogos daquela noite estranha, perturbadora e, ao mesmo tempo, tão precisa.

Tomou seu café enquanto lia um jornal antigo que estava largado na mesa da cozinha, e se informou com atraso que os dias realmente estavam difíceis naquela cidade. Aquele seu ar melancólico que pairava quando ela soltava baforadas da sua própria respiração, ia deixando aquelas notícias mais dramáticas e sérias, pensou.

Seguiu para o quarto, ainda com a xícara na mão e dava goles pequenos até se sentar sob a cama e, finalmente, abrir mais a boca para se deliciar daquele café quente e açucarado. Abriu seu closet e escolheu uma roupa que lhe caberia melhor naquele dia cinzento e frio.

Cobriu o corpo magro e sem muitas curvas com uma blusa branca e uma calça jeans escura. Colocou um cachecol verde e depois uma blusa preta que era comprida e com um tecido grosso e macio. E para os pés, preferiu uma bota preta de cano alto que deixava sua coluna esticada e as pernas torneadas com um salto discreto. Depois maquiou levemente as bochechas na vontade de disfarçar as sardas causadas pelo sol do último verão abusado, realçou seus olhos redondos e expressivos e ajeitou os cabelos longos de tons avermelhados.

Terminou de se arrumar e voltou para a cozinha para pegar alguma coisa qualquer. Abriu a geladeira e nem sabia o que tanto procurava. Talvez uma barra de cereais para preencher o buraco do estômago caso viesse a almoçar mais tarde naquele dia. Ela sempre previa a hora que a sua fome viria e decidiu remediá-la dessa vez. Enfiou a comida alternativa na bolsa, pegou seu molho de chaves que estava pendurado num enfeite delicado da parede, e seguiu para a porta.

Caminhou no corredor extenso do apartamento, parou em frente ao espelho posicionado estrategicamente numa parede nula e ajeitou uma mecha que havia caído sob o olho direito. Trancou a porta e seguiu primeiramente para a casa daquele ordinário.

(...)

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Dizem que o amor atrai

Alguém ai gosta de Djavan? Não? É, nem eu. Sei lá. Aquele cabelo estranho. Magrelo da boca grande. A dancinha estranha, que sei que inspirou muitos outros cantores... Mas nem cola Djavan na minha lista hein...

Tem certos cantores que abomino por julgar a falta de simpatia ou o jeito de se mostrar. A voz dele também não me convida a ouvi-lo. Mas nem por isso o desconsidero totalmente. Disse que não gosto do seu cabelo e da sua voz, mas as letras... bom algumas letras soam muito bem na voz de outros interpretes...

Ed Motta, Samurai...

Ai, quanto querer cabe em meu coração
Ai, me faz sofrer
Faz que me mata e se não mata fere

Vai, sem me dizer
Na casa da paixão

Sai, quando bem quer
Traz uma praga e me afaga a pele

Crescei, luar
Prá iluminar as trevas fundas da paixão

Eu quis lutar
Contra o poder do amor
Cai nos pés do vencedor
Para ser o serviçal
De um samurai
Mas eu tô tão feliz
Dizem que o amor atrai

Ps: Não que Ed Motta seja assim, um exemplo de simpátia e beleza. Mas, sei lá...

Djavan:=/nome do cantor.
No popular:=/ isso é lá nome de gente???

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Tecnologia abusada

Antes eu queria ter um celular que tirasse foto. Depois queria um que tirasse foto e que filmasse também. Pensava que seria uma pessoa feliz se tivesse um aparelho multifuncional, pois olha só: tira foto e filma! Não é demais? Pra ficar perfeito ele poderia ter um canivete acoplado no lado esquerdo e... Hi-Tech! Estava super preparada para sair às ruas. Teria tudo que precisasse, seja numa festa onde os flashes seriam acionados, ou seja numa selva, onde me viraria horrores com aquele canivete super conveniente. Enfim...

Ai, encanei que precisava urgentemente de um notebook. E esse eu precisava, preciso e sempre precisarei. Mas não porque ele é, desde que foi criado, símbolo de tecnologia extrema. Quando era criança lembro que nunca conheci alguém que tivesse um. Hoje é um desbunde total. Mas preciso porque ele me permite uma privacidade absurda. Confesso que suas únicas utilidades pra mim são o msn, explorer, word e media player. Programas básicos que traduzindo ‘no popular’ posso dizer que são: amigos na internet, orkut e outros sites para pesquisar qualquer coisa que me venha na cabeça, papel em branco pra escrever meus textos e rádio e dvd pra me entreter nos dias frios. Pronto, pra que mais?

Eu nem preciso de muitos aparelhos no meu bolso. Muito menos de um que faça tudo que os outros fazem individualmente.

O que gosto mesmo é pegar meu mp3 e ouvir somente as 50 músicas que nele cabem. Gigas? Apenas 1 e me basta!


Notebook=:/ msn, explorer, word e media player.
No popular=:/ amigos na internet, orkut e outros sites para pesquisar qualquer coisa que me venha na cabeça, papel em branco pra escrever meus textos e rádio e dvd pra me entreter nos dias frios.

Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Besteira qualquer, nem choro mais...

É, as baratas e os ratos estão batendo na porta. Dizem por aí que há restos de comidas e tecos de queijo na configuração do blog.

Enfim...

Os dias sempre parecem os mesmos. Nada de novo. É sempre a mesma árvore na esquina. O mesmo poste em pé. A mesma padaria na rua. As mesmas músicas no mp3 e por ai vai.

O mesmo ônibus no ponto. E o metrô sempre bem espremido. Vai quase penso pra um lado. Mas vai indo, sempre vai.

No telefone, é sempre a mesma conversa. No msn é a mesma amiga solidária com o meu tédio. E nos meus emails as mesmas cartas antigas que me fazem lembrar.

Sem grandes emoções.

(...)

Bem, como vai você?
Levo assim, calado, de lado do que sonhei um dia
Como se a alegria recolhesse a mão pra não me alcançar
Poderia até pensar que foi tudo sonho
Ponho meu sapato novo e vou passear sozinho,
como der, eu vou até a beira
Besteira qualquer, nem choro mais
Só levo a saudade morena e é tudo que vale a pena

Sapato Novo,
Los Hermanos.

Vai=:/ Caminhar para lá; Mover-se de um sítio para outro; Caminhar; Transitar; Avançar; Progredir; Seguir até; Dirigir-se; Aproximar-se; Comparecer; Estar em vias de; Cuidar; Tomar parte; Figurar; Mostrar-se; Apresentar-se; Portar-se; Estar ou passar bem ou mal de saúde; Distar.
No popular=:/ Vai indo, como sempre vai.

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Transbordo de...

De repente meu corpo inteiro ficou preguiçoso. As pessoas vivem questionando sobre o meu sono profundo. Juro não ter olheiras. Nem pareço uma sonâmbula a vagar pela cidade agitada. Mas é que...

Simplesmente o único sentimento que eu sinto se chama preguiça. Aquela bem ordinária, maldita. Ai como eu odeio o tédio...

(...)

Citações...

"O tédio é a falta de uma mitologia. A quem não tem crenças, até a dúvida é impossível, até o cepticismo não tem força para desconfiar."
Fernando Pessoa

“Tipo, nos entediamos porque não conseguimos gerar conflitos o bastante pra nos entreter. Não geramos conflito porque a corrida de esposas, o quarto de Ronaldo que virou atração turística e as celulites de fulana não nos comovem o bastante e, por isso, estamos fadadas ao tédio.”
Ju

...
Tédio=:/ Preguiça de procurar...
No popular=:/ O que mais sinto nesses últimos dias...

Domingo, 29 de Junho de 2008

Velhos hábitos

Eu perdi o costume de escrever. Perdi o costume de pegar meus cadernos amarelos e rabiscar qualquer sentimento vagabundo. Logo eu que nunca fui, nem nunca serei, tecnologicamente abusada. Mas dispensei minha caneta. Dispensei minhas folhas pautadas. Minha letra favorita.

E pior de tudo. Eu perdi mais ainda a vontade de ler o que já havia escrito. Logo eu.

“Simbolizando a dor do novo silêncio velho de sempre...”
Doze de novembro de dois mil e um.
Quando só existia o amor mais perfeito de todos.

(...)

Às vezes o silêncio tapa os buracos
E o amor prossegue intacto

Intacto,
Pedro Mariano.

Caneta=:/ Objeto que solta tinta na ponta sabe?
No popular=:/ Bic.

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Ai ai...

Eu poderia falar sobre o meu dia-a-dia. Sobre o inferno que é andar pelo metrô de São Paulo. Sobre a minha dificuldade de abandonar meu edredon fofo e delicioso todas as manhãs da minha semana. Sobre as milhares de pessoas estranhas que existem por ai... E etc. Ou poderia simplesmente parar de romantizar todas as cenas e analisar o lado caótico dessa cidade perturbadora que tanto amo.

Poderia também escrever sobre o último filme que assisti. Sobre como me vi nas cenas. Sobre como me vi no livro. Sobre como me vi naquelas lágrimas que por muito tempo foram iguais. Sobre a minha capacidade de dramatizar as coisas... E etc. Ou poderia até analisar o lado comercial que era nítido, mas isso deixa para os mais céticos.

Poderia falar sobre o inverno rígido que faz por ai. Sobre as minhas blusas de lã. Sobre as minhas meias quentes. Sobre o fato de não saber se aquele corpo vai me esquentar nessa temporada. Sobre as luvas que cobrem meus dedos... E etc. Ou poderia também analisar muitas dessas coisas todas. Eu poderia analisar tudo.

Poderia também escrever sobre as músicas que tenho escutado ultimamente. Sobre as letras mais perfeitas. Sobre as minhas descobertas mais gostosas. Sobre as surpresas mais emocionantes... E etc. Ou poderia... Poderia!

Mas não vou. A preguiça é tanta senhores...

Poderia=:/ A tal preguiça me impede de procurar o dicionário...
No popular=:/ Poderia? Não pode mais?

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Usucapião

De natal ele ganhou uma fotocopiadora. E de presente de aniversário, exigiu um papagaio.

Brincava de olhar para a parede e ver que, se bloqueasse a luz, o borrão escuro com as silhuetas do seu corpo o copiava perfeitamente. Levantava um braço e depois o outro. Mexia a perna e pulava sem parar. Às vezes se confundia e não sabia se imitava a sombra, ou se a sombra era quem o imitava.

Às vezes se penteava como as revistas e se vestia como seus ídolos do rock’n roll. Cantava suas músicas como se fossem suas. Só porque estavam ali há muito tempo e ninguém reclamava da posse absurda.

Ele lia passagens da bíblia e repetia pelas ruas com propriedade.

Já se estranhava ao olhar para o espelho. Nem mesmo a unha encravada no seu dedão do pé havia escapado do xerox generalizado.

No popular=:/ O que é seu por direito de usucapião.

Domingo, 1 de Junho de 2008

Será que será?

Enquanto canto, e junto me pergunto o que será que será, olho de soslaio a televisão que confirma: estamos perdidos.

O que será que será?
Que vive nas idéias desses amantes?
Que cantam os poetas mais delirantes?
Que juram os profetas embriagados?
Que está na romaria dos mutilados?
Que está na fantasia dos infelizes?
Que está no dia-a-dia das meretrizes?
No plano dos bandidos, dos desvalidos?
Em todos os sentidos, será que será?
O que não tem decência nem nunca terá?
O que não tem censura nem nunca terá?
O que não faz sentido?

O que será?,
Chico Buarque.

Abençoar=/: Deus que abençoa. Certo?
No popular=/: Abençoe esse amor. Amém.

Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Fico desejando nós gastando o mar

Leia primeiro como poesia. Depois imagine alguns acordes entrando no meio das palavras. Aos poucos vão se ritmando. Formando uma melodia gostosa e macia.

(...)

Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu?
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr do sol, postal, mais ninguém

Peço tanto à Deus para esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça
Lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir, não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você

Amado,
Vanessa da Mata.

Ps: Não gosto quando as minhas músicas se tornam trilha sonora.
Hoje eu vi que essa ai está predestinada para a novela das oito, e fiquei triste ao vê-la ali. Banalizada.
É uma das minhas preferidas. Cantei diversas vezes. E continuo a cantar. E a dançar. Sem ele.

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

nô-bossa-nova

Uma noite fria. Dois pares de pés caminham apressados sentido a estação da sé. Lá, outros dois pares nos esperam e então os oito sapatos seguem em direção à Jaceguai. Fazia tempo que não pisávamos naquela rua mal cheirosa, estranha e deserta do bairro do Bixiga. Se não fosse pelo bico do minhocão e talvez por um teatro mais popular que fica de frente para a praça pérola byighton, o oficina passaria desapercebido. O seu vizinho de frente é um vão que o viaduto provoca, e dos lados, um prédio desapropriado, e um estacionamento que funciona quando lhe convêm. Ou seja, sem pontos atrativos e sem nenhum shopping a sua volta para uma possível audiência demasiada.

Enquanto esperamos o horário da peça, fomos àquela padoca velha, suja e feia que fica na esquina da rua. Sentamos numa mesa ao fundo. Os tampões das cadeiras resistem em afundar quando nossos glúteos se encostam neles, e com determinação nos segura rente a mesa tão velha e gasta quanto. A cerveja gelada logo é solicitada, e os copos, americanos, se sentem quando brindamos.

Ao esgotar o líquido, nós seguimos para a porta do teat(r)o. Naquela noite, Taniko nos fez ir até lá. A história, que como sempre é preparada desde ao entrar pela porta do teat(r)o, era linda. Logo ao subir pela escada, que dá de cara com o camarim, fomos surpreendidos pelos atores vestidos de quimono, rostos brancos e bocas avermelhadas que cantavam em coro uma frase que já provocava: nô-bossa-nova trans-ze-ni-cú.

Sentamos num dos lados do beco sem saída, e curtimos a forma única que o oficina tem pra contar histórias.

(...)

Na saída descobrimos que ali o vento descobriu que faz melhor as suas curvas, e nos agarramos às blusas que colavam na pele nua.

Os oito pés voltaram para o metrô e conforme suas estações chegavam, se despediam. Então, as bocas se calaram, mas a mente ainda revivia as cenas da peça que comemorava a imigração japonesa.

Padaria=:/ onde se vende pão!
No popular=:/ onde se vende pão!

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Passarela nova

Caminha desesperada e nua pela cidade. Os faróis de todos os cruzamentos que cruza colorem seu corpo nos três tons familiares das ruas. As mãos tocam sempre o seu pescoço numa tentativa angustiante de massagear a tensão que escorre até seus pés. A boca tem um gosto de urgência. O esmalte vermelho das suas unhas se confunde com o sangue estancado do peito. Os pés machucados e cansados preferem as passarelas mais novas e retas, ‘sem surpresas’, pensou.

(...)

Se desapega dos vícios, costumes, crenças, rotina e também das drogas que consumia. O peso somado de todas elas tinha ficado insuportável. Antes lhe parecia prazeroso suportar os mais de setenta kilos de todas essas manias sob o corpo. Mas dias de abstinência de todos os males ‘fazem bem’, concluiu.

(...)

Gravity is working against me
And gravity wants to bring me down

Gravity,
John Mayer.

Domingo, 27 de Abril de 2008

Largado

As moscas da padaria migraram pra cá. Elas rondam os textos desse blog como se fossem pães sovados cobertos com aquele creme mega amarelo. As teias de aranha já dificultam a engrenagem da barra de rolar. As bactérias estão se proliferando pelos cantos inúteis e desapercebidos daqui. Os fungos estão deixando o branco menos branco, e o laranja está ficando com tons menos vivos. Além de baratas e ratos que já ameaçam invadir o html.

E tudo por quê? Porque eu não atualizo essa merda!

Sovado=:/ Espécie de pão doce com ovos.
No popular=:/ Palavra feia. SOVADO!

Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Proximidade

Amelie se sentia nostálgica. Ela gostava como essa palavra soava, e como conseguia expressar o que ela sentia de verdade.

Ao ver o principal motivo da tal nostalgia ali, parado, a observando como se ainda tivesse seus dez anos de idade, ela o desejou como no primeiro dia em que admitiu estar apaixonada por ele.

Seus olhos eram tímidos e tinham síndrome de Peter Pan. Seu corpo era cheio de linhas, algumas marcadas com agulha e tinta, outras apenas realçavam seus músculos sutis, mas firmes. As costas largas ainda possuíam as mesmas marcas de nascença, e seu nariz terminava de fazer seu contorno.

Por toda dança ele a entreolhou e ela só queria se amarrar naqueles braços. Se contentou em se dependurar no pescoço que inclinou em direção à sua boca. Depois acariciou o rosto que há tempos ansiava ver, e um beijo forte, que não entrou no corpo, fechou o dia. Depois disso ela só lembra de ter ouvido vozes de muito, muito longe.

Poucas vezes se sentiu completa, e todas foram ao lado dele. Não precisava de mais nenhuma atenção, nem de mais nenhuma mão sobre a sua. Aquela esquentava a pele e o peito que batia.

(...)

It's not the pale moon that excites me
That thrills and delights me, oh no
It's just the nearness of you

The nearness of you,
Norah Jones.

Nostalgia=:/ Melancolia, abatimento profundo de tristeza, causado pelas saudades do lar ou da pátria;
No popular=:/ É uma pessoa com nome, cabeça e coração ambulantes.

Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Flagelo

Sabe quando você pega uma faca e toma o máximo de cuidado pra ela não te cortar? Depois que você cortou o dedo umas duas ou três, ou quatro ou cinco vezes, presta cada vez mais atenção, porque aquela bendita faca é afiada demais, nossa. Mas você não desiste dela nunca não é? Afinal, ela é a única que pode cortar os legumes numa única passadela da lâmina. E também consegue cortar a carne facilmente, além de ser a melhor pra fazer cortes mais precisos para enfeitar uma fruta que vai à mesa. Ela brilha mais que as outras, e combina perfeitamente na sua cozinha cromada.

A faca é boa. Mas mesmo assim ela te machuca. Ela é cortante. Picota. E você se pergunta, será que já não existe alguma que possa te servir e ao mesmo tempo ser inofensiva? E eu digo que sim. Sim, existe sim. Claro que existe.

Então, tchau meu bem, estou indo pro supermercado. Fazer compras.



Faca=:/ Instrumento cortante, constituído de lâmina e cabo;
No popular=/: Corta neh.

Quinta-feira, 13 de Março de 2008

The Freak

"A mulher buscava alguém que não tivesse nenhuma peculiaridade além dos limites excedidos por lei de Estado. Todos, e até ela, haviam se tornado enormes aberrações da natureza."

(...)
Me abraça e me faz calor
Segredos de liquidificador
Um ser humano é o meu amor
De músculos
De carne e osso
Pele e cor

Carnalismo,
Tribalistas.

Carnalismo=:/ Nem procurei.
No popular=:/ Mas interpreto como a vontade insana de comer o corpo (carne) alheio, ou de amá-lo por si só.

Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Ressaca Emocional

Cena I.
Duas pessoas. Dezoito latas. Milhares de cubos de gelo fresco. Três bandas que alternam músicas entre amores perdidos, desilusões e a vontade de viver sem ninguém para encher o saco. Ba-le-la. Quem ainda acredita nessas músicas? Quem acredita que esses lugares funcionam?

Ato I.
Mas.
Dá-lhe.

Cena II.
Táxi da puta que pariu até a outra puta que também deve ter parido, um dia. Milhões de dólares gastos. Pés cansados. Fome, e a ameaça de despejar tudo pra fora.

Ato II.
O taxista veio falando o caminho inteiro sobre as coisas que vê do lado de fora das casas noturnas que abastecem o seu carro a gás. De fato, viu muitas coisas. Todos voltam para suas casas, sozinhos, quase desamparados, porém afagados por ombros tão caídos quanto os seus.

Depois de nada sair de dentro da barriga. O gosto de guarda-chuva ainda impregna. Dessa vez, mesmo se não tivesse bebido nada, acordaria com uma baita ressaca. Emocional.


Ressaca=/: Investida, contra o litoral, das vagas do mar muito agitado; Indisposição de quem bebeu, após a cura da bebedeira;
No popular=/: A conseqüência do ato impensado.

Terça-feira, 4 de Março de 2008

3. (5.2.)

(em parceria com o -senhor, seu troco! [luca de oliveira]

lucadeoliveira. disse:
vou procurar uma musica pra voce.
Barbara disse:
que tipo de musica?
lucadeoliveira. disse:
nao sei. uma que combine com voce.
Barbara disse:
ebaaa... tah bom...eu quero...
lucadeoliveira. disse:
acho que nao estou sendo feliz.
Barbara disse:
eu tbm nao estou sendo feliz... mas me diga... por que isso?
lucadeoliveira. disse:
disse em relação a procurar a musica.
Barbara disse:
hahahaha...
lucadeoliveira. disse:
sei la. estava tentando achar uma musica perfeita pra sua situacao, mas acho que a minha mp3teca nao esta muito legal.
Barbara disse:
ultimamente estou em varias situacoes, qual se refere?
lucadeoliveira. disse:
amorosa bah, amorosa.
achei, porra!
Barbara disse:
eba... qual?
lucadeoliveira. disse:
surpresa.
talvez tenha que levar pro masculino pra conseguir chorar. mas já deve ser acostumada com isso, já que a maior parte das músicas são de homens.
Barbara disse:
mas eu tenho que chorar mesmo?
lucadeoliveira. disse:
na verdade não.
mas ficaria honrado.
Barbara disse:
entendo...
que otimo. nao tah tocando...
lucadeoliveira. disse:
hunf. desisto.
era “ela faz cinema” do chico.
Barbara disse:
acheiiiiiiii...
tô ouvindo...
linda!... adorei...
mas ao mesmo tempo...
voce acha q eu enceno...
o amor... e a dor... sei lá...
lucadeoliveira. disse:
demais.
Barbara disse:
percebi... totalmente!
lucadeoliveira. disse:
três

ela acorda e olha pra ele. tenta enxergar seus pés apenas movendo os olhos com a cabeça no mesmo lugar. dói tudo. pernas, ombros, quadril. fica pensando como alguém ainda pode achar gordo o corpo ao seu lado. na verdade, ele deve apenas ter um pouco mais de massa muscular que os caras normais. ela vira, acende um de seus cigarros masculinos. acredita que marlboro vermelho é apenas para homens, mulheres fumam free azul. um de seus passatempos preferidos é fazer listas mentais de coisas de homens e coisas de mulheres.

ainda deitada, alisa os cabelos sebosos e olha novamente pra ele, que se mexe. ela engole a fumaça fazendo o trago ficar ali pelo pulmão mesmo. lembra das primeiras vezes que ele entrou no seu corpo. e às três da manhã, como num nado sincronizado, tudo pára. ela fuma seus três cigarros e pensa tudo com três possibilidades. primeiro, ele poderia acordar e finalmente a pedir em namoro. segundo, poderia acordar e dar uma quarta trepada. ou poderia acordar e dizer que a ama.

o número três a persegue. se formou na faculdade com três dependências, uma a ser cumprida, e as outras duas que apenas vai carregar. por lá, transou com três carinhas. um de publicidade, o outro também, e o terceiro se formou em administração, esse o pior que já saiu, mas mesmo assim insistiu três vezes.

na verdade, qualquer número que pensasse, poderia virar estatísticas. assim como o dois, assim como o cinco.

Barbara disse:
escreveu agora???
lucadeoliveira. disse:
comecei com uma idéia, mas mudei.
lucadeoliveira. disse:
acho que foi o sono.

...

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora, está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
E quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.

Ela faz cinema,
Chico Buarque.


Cinema:/= Arte de compor e realizar filmes cinematográficos; Cinematografia; Sala de espetáculos onde se projetam filmes cinematográficos;
No popular:/= Atuar emoção.

Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Lovely

with each word your tenderness grows
tearing my fear apart
and that laugh that wrinkles your nose
touches my foolish heart

lovely, never, never change
keep that breathless charm
won't you please arrange it
because i,
i love you
just the way you look tonight

The way you look tonight,
Tony Bennett.


I love you:/= Eu te amo.
No popular:/=
a cada palavra, sua ternura aumenta
retirando meu medo
e aquele riso que franze seu nariz
toca meu tolo coração
encantadora, nunca, nunca mude
mantenha aquele encanto ofegante
por favor, você não vai arrumá-lo?
porque eu,
eu te amo
exatamente do jeito como você está hoje a noite

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Breves analogias

Na noite paulista e paulistana, nesse ano de número dois mil e oito, as pessoas curtidas, suam o lúpulo.

Na praia gasta e vazia do quilômetro tal, alguns se salgam. Há limão por cima de suas guarnições, e no copo, a loura. Sentadas nas cadeiras ao lado, suas morenas.

Na sala coberta de amigos, risadas altas, algumas tímidas, porém molhadas pelos colarinhos brancos.

Os copos, que servem todos os personagens, são marcados com listras verticais que tentam salientar suas impressões no vidro.

(...)

Eu quis amar, mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração

Água de beber
Água de beber camará...

Água de beber,
Tom Jobim.

Curtido=/: Do Curtir, preparar o couro para que não apodreça; Preparar (alimento) pondo-o de molho em líquido adequado; Padecer, sofrer; Deleitar-se em;
No popular=/: De molho no etanol.

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Amelie viajante

Amelie voltou. Voltou o pedaço de carne em inércia viajante. Céus. Ela precisa voltar a vender suas palavras por ai. Não agüenta mais não dizê-las, não praticá-las. Quando vivia na rua, fazendo e aprendendo alguns truques com as benditas palavras, ela era mais contente. Mesmo quando reclamava dos centavos na sua conta bancária.

Está aprendendo a ver o outro lado da sua paralisia forçada. Como acordar as três da manhã e sentir a necessidade de ouvir suas músicas velhas e gastas. De ligar a televisão e se deparar com o que mais gosta de ver. De ligar o seu computador e escrever sobre coisas que ela jamais mostraria para alguém.

Porém, sente-se limitada. No limiar de todas as coisas, como de costume. Além disso, precisa de um estímulo, como vodka misturada com suco de morango. Ou simplesmente misturada com sprite.

Também vem domando sua paciência, antes extremamente explosiva. Como uma espécie de meditação. Espera já por uma semana inteira que os cêdês dos los irmãos sejam baixados, mas os caros ficam pendurados na rede e não vem logo para os seus ouvidos.

As conversas que vem tendo são bastante interessantes. As histórias dos outros andam lhe parecendo muito mais engraçadas que de costume. Mas sinceramente ouvir da amiga a super aventura vivida na pharmácia ao comprar o seu k-y, faz qualquer um se rachar. De rir. Fora assuntos que nos levam a crer que o dote é hereditário. Além de discutir a profundidade e a ‘rasesa’ das mulheres.

Enfim... Discussões banais sobre problemas reais.


Vodka=/: É um líquido claro de etanol, contendo água purificada por destilação de substâncias fermentadas como a batata, cereais ou beterraba sacarina melaço. Eita!
No popular=/: Desce bem.

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Ócio

O olho pula para o teto. Depois desce a parede. Percebe como a luz bate na tinta branca. Percebe como o quadro se enquadra no que separa um cômodo do outro. Depois os pés se esticam. Seus dedos, um por um, se sentem. A perna ameaça levantar, mas, melhor não. Os milhares de fios do cabelo se esparramam pelo sofá fundo, marcado pelo corpo que deita nele, sempre.

Ai, que preguiça!

A cabeça, uma oficina.


Oficina=/: Não sei onde está o meu dicionário!
No popular=/: Cabeça vazia, oficina do diabo.

Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

22 fadas nuas lourinhas

E aos vinte e dois com o retorno de saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar e a pedir perdão
E vinte e dois anjos nos saudaram
E tive vinte e dois amigos outra vez

Uma mistura de:
Maria de verdade, Marisa Monte com Vinte e Nove, Legião Urbana.

Vinte e Dois=/: Numeral que soma o número 10+12 que é igual a=22. Ou 1+21 que é igual a=22
No popular=/: Parabéns pra mim!

Domingo, 9 de Dezembro de 2007

The book

Seguimos...
Decidimos fazer um livro. O livro seria a conclusão do nosso curso de jornalismo. O livro deveria trazer algumas histórias interessantes. O livro deveria trazer alguma coisa que não tivéssemos lido por ai. E o livro deveria ter a nossa cara. A cara de uma menina e de dois meninos. A menina sou eu, os meninos são eles. FUDEU. Eles vão nos comer inteiros.


Bairro do Bixiga.
Ou melhor... Será que devemos chamar de Bixiga, Bexiga ou Bela Vista? Eu, particularmente prefiro Bixiga, com i. E vocês?
Mas por que o bairro do Bixiga, e não o bairro da Moóca, ou Tatuapé, ou São Miguel? Por que especificamente esse e não qualquer outro? Simplesmente porque o nome nos pareceu sonoro. E porque o nome traduz a boêmia de São Paulo, que pulsou, e pulsa nas artérias daquele lugar que abarrota histórias.
Descobrimos que além de ser extremamente conhecido pela essência italiana, seus primeiros ‘participantes’ foram os negros, depois portugueses, depois italianos e por últimos os nordestinos.
Depois da teoria ter sido remexida pelas seis mãos que retiveram todos os tipos das tais informações sobre aquele lugar, as mãos ganharam pés e passearam pela pele asfáltica que cobre aquele ser inanimado.
Nos embocamos pelas ruas do bairro, conhecemos pessoas. Vimos de perto os cortiços amontoados de tijolos tortos e com paredes que descascavam suas tintas velhas. Conversamos com desdentados, com carecas, com estrábicos, com mau cheirosos e por fim, conversamos até com deus.
Batemos fotos, e os cliques irradiavam os flashes que ninguém conseguiu desativar da máquina. Foram vielas, ruas, árvores, prédios, pessoas, e tudo mais que merecesse ficar registrado.
Na escrita, desafiamos o leitor a entender o bairro nas entrelinhas. Descrevemos os gostos que sentimos, os cheiros que cheiramos, o suor que escorreu nas nossas testas, e a sensação boa da cerveja gelada que sempre acompanhava nossos copos vazios.
Os pés ficaram cansados? SIM!
A cabeça parou de funcionar? SIM!
Teve hora que pelo menos a menina do grupo quis chorar e ir dormir? SIM!
Mas o peso foi compensado.
Enfim...
Foi uma peregrinação absoluta.
Muitas vezes voltávamos ao mesmo lugar e eu pensava: seria bom um roteiro não?
Foi bom.

E resumidamente, foi assim que surgiu A Bela Vista do Bixiga.

Já se desce a barulhenta Avenida Nove de Julho ouvindo alguns batuques das baterias, tamborins e acordes desconexos de cavacos e banjos. Na esquina da Rua Rocha o som fica limpo. Estamos na quadra da escola de samba Vai-Vai. Entramos pela porta que separa o som, abafado e suado, da rua que abre caminho para os carros apressados e curiosos que viram seus pescoços na direção dos sambistas. Uma senhora negra, sentada numa mesa amarela com uma estampa de uma marca de cerveja qualquer, desenha no rosto um sorriso largo e simpático quando nossas faces simulam querer fazer uma pergunta. “Paga pra entrar?” Nada.
Com os pés encaixados no chão firme, sem fazer movimentos, como os demais que rodeavam o salão, os nossos olhos dançavam.

(...)

Vem uma mulata sambando. Vem uma loura gelada. Essa, estralada e ansiosa para descer goela baixo.

(...)


Trecho do livro ‘A Bela Vista do Bixiga’

E a cerva nos acompanhou hein amigos...

Bixiga=/: Um bairro de São Paulo. Na verdade, Bela Vista oficialmente. Mas Bixiga de coração.
No popular=/:
Quem nunca viu o samba amanhecer
Vai no Bixiga pra ver
Vai no Bixiga pra ver
O samba não levanta mais poeira e o asfalto hoje cobriu o nosso chão
Lembrança eu tenho da Saracura
Saudade eu tenho do nosso Cordão
Bixiga hoje é só arranha-céu e não se vê mais a luz da lua
Mas o Vai-Vai está firme no pedaço
É tradição e o samba continua
Quem nunca viu...

Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Sangue

Amelie tremeu. Seus ossos chacoalharam. Seu peito se espremeu. Os olhos se encheram. As mãos se fecharam, na posição de um soco. Os joelhos falharam. Os dentes rangeram. Na boca veio o gosto. No nariz, veio o cheiro daquele homem. Pela última vez.

De repente pôs as mãos sobre os olhos e eles pareciam sangrar. A dor havia atingido as janelas do seu corpo. Quebrou-se o vidro e o castanho se misturou com o preto e o branco dos olhos gêmeos e escorreu milhares das gotas do sangue. As mãos não davam conta de tirá-las da superfície do glóbulo, e não secavam.

A cabeça rodou. Ela contou cinqüenta e três e voltas.


Volta=/: Ato ou efeito de voltar (-se); Regresso; Ato de virar ou girar: giro; Movimento que completa um percurso fechado; Pequeno passeio; Curva, sinuosidade; Cada uma das curvas duma espiral;
No popular=/: volta? dessa vez ando sem olhar pra trás.

Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

Gula de gulosa

Bolo, quindim, bomba de chocolate, refrigerante e tudo que tiver pelo menos uma colherzinha de açúcar. Adiciona, coloca e bota mel. Cobertura extra de morango. Em cima chantilly. Confetes de vários tipos, desde os redondos aos achatados. Salpique granulado preto, branco colorido.

Gula de gulosa. De querer engolir tudo que conseguiria engolir. Como diria alguém, a qual lembro bem: vou comendo a casa toda. Nham! Snack!

Gula de querer tudo junto. De querer não saciar o estômago, mas sim o ego. É a pura mistura do desejo infame de misturar homens com chocolate. A gulosa se farta!

Entende qual a gula da mulher gulosa? Essa só queima as tais calorias.


Gula=/: ainda não encontrei o dicionário...
No popular=/: Se farta...passa mal...põe pra fora...e come de novo...

Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Man and woman having sex

“Depois de ter feito sexo como homem, ela viu que tudo era possível. Que a complicação era balela. Que o medo não era insegurança, e sim covardia. Que o desejo é da carne. Que o amor não é deus e que o prazer pode ser egoísta. Mas mesmo depois de tantas conclusões não quis renunciar o seu maior orgulho: ser mulher.”

Transar como um homem

O homem encontra, enquanto a mulher procura por uma noite a qual possa se orgulhar pela manhã. É simples arrumar a cama e se deitar. Mais fácil ainda é encontrar por ai músculos, peitoral e qualquer outra parte do corpo que perambulam a espera da caça tão óbvia.

A diferença entre os sexos é a forma como eles terminam de praticar o próprio sexo. O homem volta, suado, exausto, dorme e mais uma vez fica excitado. A mulher volta, sonha, sonha e espera que ele ligue. O gesto é simples e só firma a vontade que ela tem de transar com aquele corpo mais uma vez.

Quando essa mulher consegue a liberdade condicional que a desprende de qualquer sentimento depois do prazer os papéis se invertem. E o que julgam casual, se torna leviano. Leviano porque os homens criaram as leis. Não seria bom para a hu-ma-ni-da-de se depois de suados virassem cada um para um lado, dormissem e ao acordar cada um ir para o seu trabalho discutir assuntos profissionais? Sim.

Em certo momento, toda mulher transa feito homem. Se desliga do que insiste em dar a liga: o sentimento. Passa a se sentir um macho e suas concepções se distorcem. Galinhar é a palavra, mas não no sentido sórdido do conceito. Mas logo 'meio que acorda' e se dá conta.

E os bandidos estão a solta.

Mulher=/: Meu dicionário está distante. São milhares de bagunças em meio a uma reforma irritante que me cerca aqui nesse próprio lugar que eu habito nesse instante!... Mas se o dicionário falasse aqui, diria que mulher é o sexo feminino dos sexos. Talvez o mais sensível, mas o mais forte. Será que essa é a definição?..bom..
No popular=/: É o sexo feminino dos sexos, até que se prove ao contrário!!!

Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Único

Fuçando nos meus cadernos antigos, muito velhos mesmo, encontrei um texto tão velho quanto. Ele saltou dentre milhares de anotações e uma foto. Não conheço o autor, apenas gostei quando o li.

Lembro da minha única sensação após ter lido o bendito: Eu quase escrevi isso.

Depois de tanto tempo guardando o texto, me tornei dona dele. E o texto não é uma obra-prima, mas o texto se pareceu com a leitora que o lia. E foi isso.

...

Único e Pra Sempre

Quem não tem um amor perdido, mal resolvido, uma história pra sempre pendente ou uma dor de cotovelo mal curada ainda não sabe o que é o amor ou então é um puta de um sortudo que nasceu com o umbigo virado pra lua. Todo mundo esconde por trás da imagem que ostenta de felicidade externa uma ferida não cicatrizada que não quer mais saber de merthiolate, simplesmente porque não funciona mais. Pode ser aquele amor de infância, esquecido no corre-corre diário, mas sempre lembrado nos momentos de completa solidão. Ou quem sabe, aquele amor de adolescência que despertou desejos até então adormecidos, aguçou os sentidos e fez perceber que a infância estava se despedindo de você, te fazendo sentir adulto e capaz de colocar sua mochila nas costas e seguir seu caminho, saciado com a única segurança recebida daquela mão franzina pegada na sua. Mas aí o tempo passa, a gente cresce de verdade e percebe que aquele amor do passado ainda grita nos nossos ouvidos quando se faz presente, ainda que seja num bilhete de letras tremidas guardado no fundo da gaveta, em páginas de caderno amareladas pelo tempo que contam sua história, naquela foto que você prometeu que rasgaria em muitos daqueles momentos em que a imagem, a maldita imagem daquela criatura cruzou o seu caminho ainda que fosse através da memória. Mas você sempre guarda de volta e deixa ali, como um antídoto pra nostalgia que, não demora, aparece novamente. A gente cresceu, sim, mas não consegue entender como aquele cara que você não vê há décadas e que ocupou o mesmo espaço de muitos outros num certo período de tempo ainda mexe com teus brios como nenhum outro, quando passa do outro lado da rua.

Como pode, meu deus, aquele cara exercer um domínio tão inexplicável sobre você e nem se dar conta disso (na maioria das vezes), ainda que você se recuse a aceitar as respostas do seu corpo diante da figura dele, ainda que jure pra si mesma e pra quem mais quiser acreditar que seu coração não deu nem se quer um pulinho quando você deu de cara com ele, assim, sem esperar. É nele e somente nele que você vai pensar enquanto estiver ali, parada, vendo a figura dele se afastar, quando assistir a mais um daqueles filminhos clichês de Hollywood, quando estiver voltando pra casa e aquele maldito rádio tocar a música de vocês (ou a sua música, mas que sempre te remete a ele), quando deitar na sua cama e olhar pro teto, tentando entender porque nada dá certo pra você. E sabe por que você ainda pensa nele, e, lamento informar, SEMPRE vai pensar? Porque amor que é amor, não se acaba. Porque fatalmente outros caras vão cruzar o teu caminho e te fazer feliz, sim, mas AMOR assim, em letras garrafais, você só vai sentir por ele, mesmo que os anos passem devagar e vocês se cruzem numa esquina qualquer da vida já de cabelos brancos e rostos marcados pelo tempo. Mesmo que exista reciprocidade entre vocês, mas as circunstâncias não permitam essa união. Porque aquele foi o cara que te fez sentir mulher pela primeira vez na tua vida. Porque todos os seus planos de futuro você fez ao lado dele. Porque você fecha os olhos e consegue ouvir a marcha nupcial e ele sob uma fina bruma branca parado, embasbacado, vendo você se aproximar, mais linda do que nunca, rumo à felicidade eterna. Porque não existe ninguém mais (im) perfeito e que possa te fazer tão feliz quanto ele. Porque ele te faz ter vontade de ter um filho que tenha os olhos dele, o cabelo dele, o jeitinho de andar dele, pra eterniza-lo sempre seu. Porque, por ele, você encararia numa boa um show do Flavio Venturini ou um Festival de Punk Rock, de sorrisão aberto, de acordo com as preferências dele. Porque por ele você trocaria a praticidade do bom e velho Mc’Donald’s pela fina etiqueta dos pratos mais sofisticados. Porque só ele consegue te deixar sem graça com o mais discreto olhar lançado na sua direção. Porque ele te faz perder o chão quando surge lindo, feliz e inatingível e te faz ter certeza que pra ele você talvez seja apenas uma lembrança, uma boa lembrança dos melhores-anos-da-nossa-vida-que-não-voltam-jamais. Passou. Lamento informar, mas não dá pra ligar pro cara no meio da noite e dizer ‘er, oi, você lembra de mim?! É que eu sempre fui apaixonada por você e precisava te dizer isso...’ Pra quê? Pra ele desligar o telefone do outro lado da linha e pensar ‘puts, que nada a ver foi esse agora’ enquanto você mergulha na mais profunda fossa no escuro do seu quarto e se afoga em lágrimas e funga no ouvido da sua melhor amiga que nada mais tem a dizer além do que já cansou de falar nas inúmeras conversas que vocês tiveram sobre o assunto, até porque ela também já viveu uma história igualzinha a sua e o final, obviamente, também não foi dos melhores?!? É, não dá. Amor não se pede, já me disseram, e amar sozinha dói pra caramba. Mas também não dá pra amargurar a dúvida do que poderia ter sido se tivesse tido coragem de tentar. Histórias de amor começam todo dia e a criança de hoje vai ser o adolescente apaixonado de amanhã e o adulto pra sempre marcado de depois de amanhã. E outra: se você ainda não sabe, aquele carinha míope, desajeitado e sem-graça que sentava no canto da parede da sua sala na quinta série, sente exatamente tudo isso quando vê você passar linda, feliz e esfuziante.

E que os corações vazios me perdoem, mas prefiro a profundidade do sofrimento pelo amor verdadeiro ter cruzado meu caminho, que a superficialidade dos amores de finais de semana que a conveniência e o medo de crescer nos impôs para exilir pra tranqüilidade.



Recíproco=/: Que implica troca ou permuta, ou que se permuta entre duas pessoas ou grupo; mútuo;
No popular=/: Eu sinto e ele sente igual.

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

Tão démodé

Nunca sai fora de moda. Quanto mais velha, melhor. Quanto mais se ouve, mais se canta. Mais se quer.

Clichê

Ainda lembro o que passou. Eu você em qualquer lugar dizendo "aonde você for eu vou".

E quando eu perguntei ouvi você dizer que eu era tudo o que você sempre quis. Mesmo triste eu tava feliz. E acabei acreditando em ilusões.

Eu nem pensava em ter que esquecer você, agora vem você dizer "amor, eu errei com você, e só assim pude entender que o grande mal que eu fiz foi a mim mesmo".

Vem você dizer "amor, eu não pude evitar", e eu te dizendo "Liga o som e apaga a luz".

Apaga a luz.

Ainda lembro,
Marisa Monte.


Feliz=/: Ditoso, afortunado; Contente, alegre; Bem-sucedido; Bem lembrado;
No popular=/: Mesmo triste eu tava feliz.

Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

Clichê

E eu adoro clichês. Por que não usá-los? Clichê é aquilo que usa e abusa, e acaba mesmo abusando. Mas de vez em quando se usa e de novo nos abusa. Que mal tem?

Tão démodé

Quem sabe ainda sou uma garotinha. Esperando o ônibus da escola. Sozinha.

Cansada com minhas meias três quartos. Rezando baixo pelos cantos, por ser uma menina má.

Quem sabe o príncipe virou um chato, que vive dando no meu saco. Quem sabe a vida é não sonhar.

Eu só peço a deus um pouco de malandragem, pois sou criança e não conheço a verdade.

Eu sou poeta e não aprendi a amar.

É...
E eu ainda tenho tempo pra cantar. Eu arrumo tempo pra cantar.

Malandragem,
Cássia Eller.


Príncipe=/: Filho ou membro de família reinante; Filho primogênito do rei; Chefe de principado; Consorte da rainha, nalguns países; Título de nobreza, nalguns países;
No popular=/: Virou um chato e vive dando no meu saco.

Terça-feira, 31 de Julho de 2007

Nesse mesmo minuto

Em setembro de 1973 ás 18:28:32 uma mosca califorídea, capaz de 14.670 batidas de asa por minuto pousou na Rua Saint Vicent em Montmartre.

No mesmo segundo, num restaurante perto do Moulin-de-la-Galette o vento esgueirou-se como por magia sob uma toalha fazendo os copos dançarem sem que ninguém notasse.

Nesse instante no 5° andar do n°28 da Rua Trudaine, 9° distrito Eugène Colère , de volta do enterro de seu amigo Émile Maginot apagou seu nome da caderneta de endereços.

Ainda nesse mesmo segundo um espermatozóide de cromossomo X pertencente ao Sr. Raphaël Poulain destacou-se do pelotão e alcançou um óvulo pertencente à Sra. Poulain, em solteira, Amandine Fouet. Nove meses depois, nascia Amelie Poulain.

Estamos em 28 de setembro de 1997. São exatamente 11 horas da manhã. No parque de diversões perto do trem fantasma a máquina de puxar bala, puxa bala.

No mesmo instante, num banco da Praça Vilette, Féllx Lerb descobre que o número de conexões possíveis no cérebro é superior ao número de átomos no universo.

Enquanto isso, no Sacré Couer, as freiras treinam a esquerda.

A temperatura é 24°C, a umidade é 70%,e a pressão atmosférica, 900 milibar.

Amelie e Nino circulam pelas ruas estreitas, aconchegantes e de cores pastéis da França.

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain...


Minuto=/: Unidade de medida de intervalo de tempo; Momento, instante;
No popular=/: 60 segundos!

Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

The real drama

“Ela tenta se conter nas pequenas carícias. Mas insiste em querer cavar seus dedos naquele peito. A mulher vaga por ai nessas diversas ruas. E todas são iguais, não consegue ver diferença em nenhum dos seus passos. Precisa de um estímulo. O drama acabou. Precisa de um novo dilema.”

Mais um capítulo

E chegou o fim de mais uma novela das oito. O ibope batia mais de 60 pontos. A mãe, o pai, a tia, a vizinha e as trinta e quatro amigas acompanhavam cada capítulo torturante. Mas o último capítulo chegou e, como todos os finais, foi decepcionante. The end. Mas na próxima segunda-feira outra estreará na telinha global.

Na vida real é basicamente isso. Há sempre os telespectadores que esperam o desfecho de mais um drama. Mas e quando a história fica chata? Cortem as gravações!!! A história se esgotou!

O mocinho não quer saber de casar. A mocinha perde o juízo e as estribeiras e decide se encharcar de vodka. É quando aquele amor nem parece ser mais tão possível. O drama se desfaz. E a ficção começa a parecer real. E a vida real é chata demais.

Quem sabe umas das vantagens de viver o real é que se pode recomeçar, e começar de novo e de novo. Talvez a única verdade de viver um verdadeiro drama, é que homem dá em árvore, nasce em pés de alguma coisa, brotam por ai.

Mas será que mulher não consegue viver sem drama? Mesmo se seguir aquele ditado: antes sozinha do que mal acompanhada? Consegue? Não deixar o mundo girar em torno do coração? Não.

Os mocinhos vêm e vão. A protagonista agoniza, mas quem sabe se no meio da novela, ela decide colocar uma blusa mais colorida, põe brilho nos lábios e deixa o olho correr no escuro. Segura sua bebida gelada, porém das mais quentes. Dança, seduz, sorri e conquista mais um.

???

“Eu perdi o meu amor para uma novela das oito. Desde essa desilusão eu me desiludi."

Fugiu com a novela,
Vanessa da Mata.


Novela=/: Narração, usualmente curta, ordenada e completa de fatos humanos fictícios, mas, em regra, verossímeis; peça teatral ou romance com apresentação seriada pelo rádio ou pela televisão;
No popular=/: A minha é uma mexicana.

Terça-feira, 24 de Julho de 2007

Sai nada

Às vezes a cabeça dá um nó. Nada vem, nada vai. Tudo chora, e o choro vem.

Às vezes não adianta forçar porque não sai nada dessa cabeça. Essa cabeça não consegue, tá presa.

Um dia ela volta e fica grudada em cima do pescoço.

E tudo volta, o nó desata. Vem tudo e tudo vai. Nada chora e o choro nunca mais vem. Não precisa de nenhum esforço e a cabeça consegue. Se solta.


Nó=/: Hannnn.. nem o dicionário sabe o que é um nó!
No popular=/: Quem deu esse nó na minha cabeça?

Segunda-feira, 16 de Julho de 2007

The Sex.. And The Ghost..

"Cada um tem um. Daquele que assombra, gruda na sombra, vai pra qualquer lado ao seu lado. Mesmo que em pensamento, não sai, impregna. Aquela mulher vivia seus dias pela cidade abarrotada de homens que a inspiravam. Mas seu círculo era vicioso, e sempre terminava naquela cama. Com tantos homens disponíveis, e querendo a mesma coisa que ela (sexo), por que ela se sentia assombrada por um único fantasma? Ele era tão camarada assim?"

O caça-fantasma

O problema que uma mulher independente pode ter nos dias de hoje, onde relacionamento não é sinal de comprometimento, é se sentir comprometida com um homem que vai e volta. Tipo ioiô. Tipo boomerang, joga longe e alto pra nunca mais voltar. Mas ele volta, até mais forte... E querida, se proteja porque se te acertar em cheio, machuca!

Esse tipo de homem “fantasma” é aquele que pode adormecer por algum tempo. Por muito tempo. Mas quando fareja a insegurança, volta a assombrar. E lá está ele no seu telefone. Nos e-mails. Nas mensagens. Em tudo, volta forte. Esse demônio não quer ser exorcizado. (claro! Rs!) E nem a possuída quer que ele volte pras trevas de onde surgiu. Quer transformá-lo em um anjo trazido por Deus, ou pelos deuses. Enfim...

Na maioria das vezes o fantasma tenta nos fazer bem. Ele recupera um lado esquecido. Talvez seja amor. Ou de repente foi corpo. Foi sexo. Ué!

"Ela o enfrentou, exorcizou. Mas se sentiu diferente. Isso porque percebeu que o fantasma era real. "

Trecho do seriado. Qualquer semelhança é pura semelhança!!!


Assombração=/: Terror cuja causa é inexplicável; Fantasma;
No popular=/: Nem tenho mais medo...

Domingo, 15 de Julho de 2007

Mulher

De um lado o olho desaforo que diz o meu nariz arrebitado. E não levo para casa. Mas se você vem perto eu vou lá.

Dentro da menina, a menina dança. E se você fecha o olho, a menina ainda dança.

Até o sol raiar...


A menina dança,
Marisa Monte.

(...)

Dança, dança mulher...

Vira na desordem
Vai como quiser
Procura a sua razão na pista
Se perca
Se ache logo, antes que alguém roube todo esse brilho
Acorda, desperta
Abra esses olhos vermelhos
Veja a vida lá fora
Beba e enxuga as lágrimas.

Dança mulher...




Pista=/: Indício, vestígio; Encalço, procura; Parte de salão reservada a danças;

No popular=/: Danço, logo me perco, logo ninguém me acha!

Sexta-feira, 6 de Julho de 2007

O mais do menos

Amelie conta histórias. Ela conta demais. Tudo vira número. Tudo é calculado, somado, dividido, multiplicado, abstraído. Mesmo odiando todos esses números e as suas problemáticas, insiste em usá-los diariamente.

Conta horas.
Amores.
Desamores.
Passos.
Canetas.
Sorrisos.
Folhas.
Palavras.
Meses.
Idade.
Comerciais.
Músicas.
Homens.
Amigos.
Cores.
Janelas.
Lágrimas.
Ninos.

Tudo se personifica nas suas contas...
Contas de Amelie.

O resultado é sempre redondo, exagerado, exorbitante. Se apega nas centenas. Gosta de exagerar.

Tudo é mais e menos é pouco. E muito pouco é dividido por dois.

2+2= 300

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain...


Cem=/: Cardinal dos conjuntos equivalentes a um conjunto de uma centena de membros;
No popular=/: Sem...

Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Eco

Que vazio absurdo... – disse Amelie.

Talvez um abajur quebrasse sempre aquele breu. As duas, ou três horas da manhã os olhos ainda abertos procuram a tal luz, singela, meiga, quase apagada, mas ainda sim, acesa.

Naquele marasmo ela se pergunta. E quanto, por nada! Se concentra no que está ao seu redor. E seu ambiente se ilustra com as músicas que as faz chorar. É sempre presente no coração Poulain de ser. Ela canta pra ela. E pra ele. Sobre ela, e também sobre ele, eles. Quem liga para o plural...

De diversas formas, a música... Afasta esse tal vazio absurdo e preenche com coisas possíveis. Se pudesse viveria da música. Mas prefere viver das palavras que juntas, sempre formam a melodia certa. Atinge sempre o alvo, é sempre sonoro.

Encontra em cada pedaço da sua excentricidade as partes que faltam. E canta sobre todas elas.

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain...


Eco=/: Fenômeno físico que se manifesta pela repetição dum som; Repetição de palavras ou de som;
No popular=/: Vazio absurdo. Absurdo. Absurdo.

Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

TEAT(R)O

Não tem catraca pra te controlar, mas se houver alguma dúvida que cesse agora: você não passa despercebido. Todos ali são percebidos, olhados, fixamente. Parece mais uma rua, uma leve descida. A direita de quem entra três andares, a esquerda uma enorme janela que vai da ponta a metade do teatro. É mais uma parede de vidro com vários pedaços que se soltam e ventilam. Um pau-brasil. Um jardim pequeno. Do lado os percussionistas. No final daquele beco “aparentemente sem saída” há duas saídas fechadas pelo Silvio (Santos). Não conseguiu tirar a magia.

As pessoas se amontoam, ninguém tem medo de se encostar. O pescoço que fica de um lado pro outro acompanha todos os movimentos espalhados por todos os cantos daquele lugar. Tudo é usado a favor da peça. Tudo é palco. Todos nós somos atores.

O Oficina tem esse lado mágico. Tem o seu lado indiscutível. Nada nele se compara, tudo é visto como se fosse a primeira vez. E seu público, assíduo, não o adora, nem o contempla, apenas aprecia a arte feita como ela deve ser feita: sem desprendimento e sem pudor.

O corpo é usado de todos os ângulos, sem as vestes ou com muitas vestes. O que importa não é a sexualidade, nem a sensualidade, e sim tudo que possa ser usado a favor da cena. É uma orgia, todo mundo come todo mundo...


Orgia=/: Festim silencioso; Esbórnia, bacanal; Desordem, tumulto; Profusão;
No popular=/: (como diria Zé, inspirado em Glauber, ORGYA) é um monte de gente fazendo não sei o que!

Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Ex-Rosas

Só queria pular por todos os cantos, corria até ficar sem fôlego. As bonecas sempre bem cuidadas, eram alinhadas, todas preparadas para viver. Suas pernas marcadas, roxas, eram resultado da sua vivacidade. Mal podia amar, era tão menina. Srta Poulain não entendia nada sobre meninos. Na verdade os repugnava. Sempre vinham corteja-la. Talvez fosse o rosto delicado, ou o nariz empinado com aquela manchinha na ponta. Arrebatava pequenos corações. Eles se apaixonavam, se arriscavam. Ela só queria ser criança. Precisava suar todas as gotas possíveis. E assim deixava os moleques com as suas rosas murchas. Só tinha certeza que seria dona de muitos amores. Que viveria um grande, sofreria por um pequeno e lamentaria um interessante.

Hoje Amelie bate suas unhas vermelhas contra a mesa, num sinal de espera.

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain...


Dona=/: Proprietária, senhora; Título que precede o nome próprio das senhoras;
No popular=/: Me faço dona das pessoas... Só que elas não sabem que me pertencem!

Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

The Sex... And The City...

“Era uma vez uma mulher moderna. Freqüentava os melhores lugares, se vestia com as melhores grifes. Era linda, poderosa e havia acabado de se mudar para Big Apple. Aquele lugar convidativo transpirava sexo e ela imaginou que preferia amor. Conheceu um homem lindo, saíram para jantar e ela transou com ele. Durante duas semanas foram cúmplices de uma paixão arrebatadora. Ele queria que ela conhecesse sua família, mas no dia marcado ele ligou dizendo que tinha imprevistos. Não se viram naquela noite. Na manhã seguinte a caixa postal dele se encheu de recados preocupados. Não retornou. Por uma semana foi um silêncio. Depois de alguns dias eles se encontraram sem querer e ela disse que o amava. Ele disse que era só sexo.

Chorou por três dias e duas noites. Apagou o cigarro e se sentiu em Manhattan.”

Sexo é homem. Amor é mulher.

Afinal, sexo se distancia da concepção de amor? Se desprende do sentimento, caí de cabeça e tira de cena o coração? É tudo que não envolve amor, mas o amor tem que envolver o sexo. Sexo por mais que tente ser unisex, é masculino. É desprendido, invasivo, marcante. Sexo não passa do limite da palavra. É coisa de corpo, pele que se toca, apenas dois nus. É um mero despacho de energia. É egoísta, descartável e casual. É competitividade. É auto-afirmação. Sexo é o limiar do amor. E vice-versa. Sexo é conta de adição. Amor é qualidade.

E o amor? Não se mistura na ideologia e na prática do sexo? Amor requer expectativa, começa muito antes das luzes apagadas. Se estende por dias. Se prepara, se ajeita, floresce a cada gesto de atenção. Se cura com sorriso e se basta com um beijo. Se deixa envolver e sonha. Coloca todas as partes do corpo, sem pudor, receio. É permanente.

O homem e a mulher, se esbarram nas duas versões que significam a mesma coisa: um ato egoísta. Enquanto um quer a satisfação do lado de fora, o outro que suprir o lado de dentro. E a metáfora pode ser levada ao pé da letra. Mas basta entender quem é quem nessas partes que se cruzam. São apenas linhas em sintonia, e nada mais.

Pegue uma barra de chocolate e junte-se a nós!


Chocolate=/: Produto alimentar feito de amêndoas de cacau torradas; bebida ou bombom de chocolate;
No popular=/: Dizem que é melhor que sexo...

Sábado, 19 de Maio de 2007

Pés no chão

Amelie tem medo de altura. Apavora-se só em imaginar voando pelos cantos. Mesmo que já tenha feito certas peripécias nos céus, tem receio de não conseguir colocar seus pés no chão firme. Gosta de sentir cada centímetro do seu pé encaixado sob o asfalto cru. Anda por ai com eles desvestidos, nus... Como se vestidos não pudessem respirar. Tem que caminhar livres, sem apertos, encostando no que é proveniente do chão.

Da mesma forma é seu coração. Não gosta de voar. Quer a certeza de estar seguro, sob o firme. Acha que imagina demais, e foge da realidade. Mas o sonho é a sua própria realidade.

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain...


Céu=/: Espaço ilimitado e indefinido onde se movem os astros; Firmamento; A Providência; Deus;
No popular=/: Alto demais...

Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Se preferir o silêncio a música que as vezes desconcentra, deixa apreciar o som do nada
Se a solidão parece uma fuga de todos os dias estressantes, que curta em paz
Se não troca horas de sono por horas a fio, que descanse
Que pense tudo que tiver de pensar
Deixe só, pelo menos por um minuto
Solitário não no sentido ruim da palavra
Solitário porque quis assim, ficar a sós


"A solidão me seguiu a vida inteira. A vida de solidão me persegue aonde quer que eu vá: bares, carros, cafeterias, cinemas, lojas, calçadas. Não há escapatória. Eu sou o homem solitário de Deus."
(Travis Bickle, personagem interpretado por Robert De Niro no filme "Taxi Driver")


Solitário=/: Que decorre em solidão; Que não convive com seus semelhantes; Situado em lugar ermo; Aquele que vive só;
No popular=/: Acompanhado dele mesmo...

Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Cadê as crianças dessa escola?

Desapareceram, ou apenas cresceram?

O sinal tocava sempre as 7 em ponto. Mais parecia uma sirene. Todos entravam uniformizados. As meninas tentavam se destacar usando uma pulseira diferente, ou o cabelo que as vezes estava no alto, as vezes caído sobre os ombros. Aquela roupa larga e de cores duvidosas não eram generosas com as curvas que começavam a se desenhar. Os meninos aproveitavam o estilo largado, e se jogavam ainda mais nas calças frouxas.

Todos reclamavam do sol que tinha acabado de apontar no céu. A professora era a mais paciente. Não merecia ser tão xingada assim. Mas é que esquecemos de fazer o exercício sabe!

As mãos nos bolsos durante o intervalo e os grupos que se formava em cada ponto daquele pátio meio escuro, meio estranho deixam saudades. No fundo a cantina cheia de doces e salgados. Coitadas das mães que desembolsavam alguns trocados todos os dias para satisfazer as gulas.
Corre, corre! Lá fora tem polícia, helicóptero, e até a globo veio nos visitar. A suspeita de antrax nos fez rir por alguns dias. Mas é que na escola tudo é diversão. Tudo é menos importante do que as contas de matemática. Só queríamos jogar bola.

Na edição da semana do jornal da escola, briga em frente ao quadro 'será que me mandaram um recado?', era para isso que servia... Notícia, só se fosse sobre alguma fofoca, nada de Jornal Nacional.

É...

As crianças cresceram, se distanciaram umas das outras. Agora possuem suas próprias vidas, cuidam de outras, gozam de outros prazeres. Mas na memória de cada uma ainda está o barulho de milhares de vozes nos corredores e a famosa sirene que ecoava por quarteirões.

Colaboração: Carol Mendonça


Escola=/: Estabelecimento público ou privado onde se mistura ensino coletivo; Alunos, professores ou pessoas duma escola; Sistema ou doutrina de pessoa notável em qualquer dos ramos do saber;
No popular=/: Aprendi pouco, mas me diverti muito!!!

Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

O Jornalista

Óculos de armação preta, o cigarro na mão, um copo com cerveja gelada, alguns jornais daquele dia e outras anotações de uma matéria qualquer feita naquela tarde se misturam na mesa de madeira. Um lugar sombrio, de cores pastéis. São poucos móveis, muitos discos, fitas, cds, dvs, revistas, livros. Um empilhado de jornais de muitas datas tenta fazer parte da decoração frustrada do ambiente. Aquele espaço serve pra relaxar, fugir e se encontrar. Quando sai pra rua percebe todas as cenas, tudo é pauta, tudo vira frases combinadas de forma romântica. Poesia ou Prosa.

Figura intelectual, mergulha na diversidade de todos os pontos. Mas tem seus gostos avaliados constantemente, simplesmente sabe o que lhe faz bem. Provavelmente é avulso da sociedade que impõe regras, mas não consegue ser um completo alheio às suas vontades que não deixam de pertencer também à massa. Sua visão política muitas vezes é aguçada, se espera que seja de esquerda, mas há os controversos e os apartidários que preferem não se aliar a nenhum rótulo. Hoje não se acredita em partido e nem mesmo a uma concepção política, tudo se distorce.

A música é elemento vital. Ouve-se primeiro uma música popular brasileira, bossa e variantes, depois parte-se para a música nova, as descobertas internacionais e raridades. Mas nada o impede de gostar de uma moda. Basta diferenciar o comercial do belo.

Seu jornal suja as mãos, mas não as lava depois. Se lambuza da tinta despejada naquele papel grosso e escuro. Absorve todas as letras. Reivindica, pede explicações, é curioso e enigmático, com muito charme. Não pede atenção, fica nos bastidores, se possível olhando por uma fresta entre a porta ou pelo buraco da fechadura. Possui muitas facetas e malícia, mas cada um se desenvolve como pode. O que sempre quer é se expressar. Gosta de saber que alguém finalmente o leu.

Eu sou um menino
Que precisa de dinheiro
Mas prá ganhar de sol a sol
Eu tenho que ser bananeiro
Pois eu gosto muito
De andar sempre na moda
E pro meu amor puro e belo
Eu gosto de contar
As minhas prosas
O mundo é bom comigo até demais
Pois vendendo bananas
Eu pretendo ter o meu cartaz
Pois ninguém diz prá mim
Que eu sou um palha no mundo
Ninguém diz prá mim
Vai trabalhar vagabundo

Vendedor de Bananas,
Jorge Benjor.

Romântico=/: Relativo ao romance; Sonhador, devaneador, fantasioso; Indivíduo romântico;
No popular=/: Só pode ser jornalista, viaja neh!

Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Teoria. Furada.

Teorize às vezes...

Temos plena consciência do que deve ou não ser amado. Eu só chorei por aquele homem porque queria mais dos seus beijos, eu quis amá-lo. Eu só quis muito aquela blusa porque achei que ficaria linda em mim, eu escolhi gostar daquele modelo. Mas o amor que sentimos pelas pessoas, ou pelos objetos são meras projeções de nós mesmos, e quando não me vejo mais refletida no que eu dizia amar, acaba todo o fervor. O amor é inventado.

Teoria=/: Hipótese; Quimera, utopia; Noções gerais;
No popular=/: É por ai!

Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

Certas cenas

- O que você quer agora?

- Talvez um pedaço de chocolate, ou uma coca-cola bem gelada!

- Não falo desse tipo de vontade! O que você realmente quer?

- Ah, eu não sei. Quero ir embora daqui, tá apertado e eu preciso descansar!

- É difícil conversar com você né. Só queria saber quais são as suas vontades, o que você quer da vida. Se me quer como um grande amor, ou se sou um passatempo. Ou quem sabe se pensa no futuro, ou se nem pensa no futuro. O que é o futuro pra você?... Estou incluído nos seus planos? Você tem planos? O que você quer ser quando crescer? Me fala de você. Conta alguma história engraçada, você sempre me faz rir. Lembra daquele dia...

- Nossa, quanta coisa. Vamos logo, quero ir dormir, já está tarde.

...

- Vontade de fugir daqui, vamos comigo?

- Claro, pra onde? Talvez para o Sul. Ou vamos fugir para outro país? Gosto de vários. Nunca fui né. Mas gostaria de conhecer, o que acha?

- Não, você não me entendeu mais um vez. Não necessariamente fugir daqui, só estou cansado de certas coisas, quero mudar, quero um sentido novo. Me ajuda!

- Nossa, que difícil hein! Vamos logo, ou vai se atrasar!

...

- Você me ama?

- Sim. Que pergunta.

- É, você sabe que eu também te amo, mas até onde iria por mim?

- Nossa, você anda muito estranho ultimamente!

- É...

- Chega, come isso e pára de frescura!

- Claro.

...


Ele quer entender certas coisas, acredita ser um poço de frustrações.


Negligência=/: Descuido, desleixo; Desatenção, displicência;
No popular=/: Me repara!

Quarta-feira, 28 de Março de 2007

Dia

O dia nas suas 24 horas. Uma prévia do próximo. Qual a sua rotina?

Acordo assustada. Já começo a pensar em certas coisas. Discuto comigo mesma. Muitas coisas pra resolver e eu já estou cansada.

Já é hora de ir almoçar. Não sou disciplinada, 11h30 é almoço, 7h30 é café da tarde, e quem sabe as onze ou meia noite, uma, duas da manhã é a minha janta. Mas todo dia da semana é assim. Estágio, faculdade, casa.
Final de semana tudo pode acontecer. Mas ultimamente prefiro descansar. Cansei! Quero outras coisas.

Pego o ônibus. Pontualmente as 12h30. Como odeio. Definitivamente não nasci pra ser empurrada nesses lugares. Aquele barulho não é dos mais agradáveis e as minhas costas doem. Vou pensando na vida. É o único jeito de passar “bem” o tempo que gasto dentro daquele transporte horrível. Credo!

Mas penso em tudo. Lembro de alguma música. Ontem cantei "Eu sou Neguinha". Viajo. Volto. Nas ruas, muitos estabelecimentos trocando suas fachadas. Gigi Kassab conseguiu. Sua lei entra em vigor semana que vem, e os apressadinhos correm, gastam dinheiro. Coitado do “vagabundo” do Seu Kaiser, onde estará?! E Kassab. Espanha? Até domingo Gigi!!! Rodrigo Garcia foi junto?! E o DEM, seria mais legal se fosse PD, “Partido das Descontroladas” (rsrs), mas a pesquisa apontou que o povo não gosta de Partido no nome do Partido.

Cheguei no Centro de Itaquera. Faz um ano que ando do ponto para a subprefeitura, da subprefeitura para o ponto. Gostava mais quando andava pelas ruas da Oscar Freire. Mesmo naquela época quando tudo estava sendo cavoucado.

Subo aquela rampinha. Sempre torço meu pé. Dá próxima vez vou de tênis. Entro numa das casinhas antigas que formam a sub. O trabalho está tranqüilo hoje, a semana passada virou passado graças a deus e todos aqui estão respirando.
Ação Solidária, Palestra da Lei Cidade Limpa, Aniversário do Bom Prato, Pré-Conferência no CCMI, pauta pra isso, aquilo. Cobre evento, tira foto, manda pra jornal, “manda aviso de pauta Barbara”, “manda de novo”. O mesmo? É. E não esquece que tem que atualizar a Ficha do Prefeito. Tudo em 4 horas diárias. Mas dá tempo pra outras coisinhas também. São telegramas, matérias pra scanear, tirar foto da reunião e, ufa, atender a milhares de ligações. Não esquecendo de fazer a clippagem, xerocando duas vias, uma para o subprefeito e outra para o chefe de gabinete. Guarda os originais e separa porque vamos encadernar! Essa semana ainda! Chegou o jornal AQUI ITAQUERA. Guardei. Portifólio. Reportagens Mariana Antunes, Alice Cardoso e Barbara Negri. Às vezes sai foto minha.

5h00.
Tchau!
Faço o caminho e penso e vejo tudo de novo. Em diferentes visões.
Procuro a chave. A bolsa é grande. Tem muita coisa. Cadê a droga da chave??? Toco a campainha. Achei a chave.
Lavo as mãos. Como odeio ônibus. Já disse que pretendo ficar rica?

Sozinha como previa. Que tal Marisa Monte hoje: no compasso da desilusão... desilusão, danço eu, dança você, na dança da solidão... Ela interpreta bem essa música! Quem canta mesmo? Paulinho da Viola.

Mais tarde tem faculdade.
Só isso:
Bixiga tão presente nos meus sonhos. TCC não é fácil. Mas como tudo, ele vai indo. Vamos levando. A gente vai lendo e escrevendo o Pré-Projeto.
Pauta para o Jornal Cidadão. Cidade Tiradentes de novo. Ai!!! Pauta para semana que vem, e como sempre a parte burocrática é minha. Se fica boa eu não sei, mas tento desenvolver.
Telejornal, já temos o tape do Mercado Municipal só falta mesmo decidir quem vai apresentar o programa, e já disse que não apresento de novo. Não nasci para brincar de Fátima Bernardes. Se viram!
E se tiver outras coisas, esqueci!

9h00
Bar. Somos filhos do mesmo Pai. Mereço.
A aula está rolando. Barbara Negri, 627780 “Presente”.
Nem subimos no segundo módulo. O papo era mais construtivo e deixamos passar o horário. A pauta daquele dia girava em torno da banda Legião Urbana. É o start para “o pensar” do adolescente sim, mas continuar ouvindo é uma nostalgia boa.

Acabou e rastejo, querendo cama.
Amanhã começo de novo. Só muda a data, tudo é igual. Preciso conversar com aquela pessoa. Ler aquilo. Resolver trabalhos. Ir trabalhar. Faculdade.

Chega sexta feira, chega 10h30! A rua enche!

(...)

Para saber a resposta: vide - o - verso
Para escolher a compota: jundiaí
Para a menina que engorda: hipofagi
Para a comida das orcas: krill
Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta
Diariamente

Diariamente,
Marisa Monte.


Cansar=/: Causar cansaço ou fadiga; Aborrecer, enfastiar; Ficar cansado ou aborrecido;
No popular=/: Preciso de férias. Sumir!

Segunda-feira, 26 de Março de 2007

Sinta-a

Viva tudo que faz o corpo se mexer
Dançar
Permanecer vivo
Arte escolhida por poucos
Talvez o medo de rebolar sem parecer vulgar intimida demais
Música cubana, música cigana, música latina
Dance, colado
Sinta toda a essência uruguaia, argentina, todas dessa América
Brasileiro que ouve salsa, merengue, que fuma charuto
Que se reúne no clube do charuto
Homem e mulher que tem samba no pé
Que cultiva o bom e velho samba
Que presta atenção nos novos
E também fecha os olhos para a mpb e para a bossa
Que vê em cada canção alguém
Que canta para si próprio
Se assemelha àquelas palavras
...
O ser humano tem certa dificuldade de não cantar o que não canta sua vida
...
Mas remexe a cada batida

(...)

É com esse que eu vou sambar até cair no chão
É com esse que eu vou desabafar na multidão
Se ninguém se animar
Eu vou quebrar meu tamborim
Mas se a turma gostar vai ser pra mim

É com esse que eu vou,
Elis Regina.



Música=/: Arte e técnica de combinar sons de maneira agradável ao ouvido; Qualquer composição musical; Conjunto ou corporação de músicos;
No Popular=/: Dance!

Quarta-feira, 14 de Março de 2007

São Paulo!

Cidade Imensa.
Dividida por ruas, becos, avenidas, alamedas e esquinas.
Brotam casas e prédios que literalmente arranham o céu.
Os carros que passeiam pela sua pele asfáltica vagueiam com uma velocidade controlada, não por opção. Andam devagar. São muitos.
Algumas pessoas se espremem num retângulo alto, cheio de ferros e bancos duros. Pagam mais do que deveriam para transitar nele.
Aquele minhocão grande e de aço que corta a capital de ponta a ponta é outra escolha. Menos barulhento, mas as pessoas se encostam a toda hora também. Ele anda por cima e por debaixo da terra. Todo dia é essa movimentação corriqueira.
Na grande Paulista, o passo é tão comum quanto as rodas. Ninguém olha pra cima, ninguém mede todos aqueles prédios, mas talvez olhem para os lados para não esbarrar em outro transeunte. Todos trabalham, estudam.
Quando a noite chega, os bares lotam. A cerveja gelada. A conversa afiada. Todos relaxam. Falam mal dos seus trabalhos, chefes, colegas. Precisam por pra fora o que no escritório é abafado.
É uma cidade difícil de dormir. Ninguém a deixa em paz. Em todo canto alguém passa, conversa, se despede e segue caminho. Mas ninguém quer sair dela. Ela pulsa por esse movimento. Anseia pelo novo dia, pra viver de novo. Como se em alguma noite ela pudesse ter sido dada como morta...
Ninguém quer deixá-la. Todos apreciam São Paulo.


Metrópole=/: Cidade principal de um Estado; Qualquer nação em relação às suas colônias; Grande cidade;
No popular-/: São Paulo ué!

Domingo, 4 de Março de 2007

Pedaços de Amelie

Era uma garota como todas as outras garotas. Os olhos pareciam brilhar no meio da multidão que sempre a cercava. Talvez ela se sentisse sozinha, mas sempre parecia estar completa. O rosto fino acompanhava a silhueta do corpo magro. As mãos de bailarina (um comentário antigo).
Tinha personalidade única. Era ousada, sem arrebatar todos os olhares. Queria o mundo, mas se cansava só em imaginar como faria para conquistá-lo.

Tinha manias peculiares como tocar a ponta dos dedos. Ela não entendia muito todos os seus trejeitos, só sabia que não podia controlá-los. Era menina, mas o corpo crescia e a maturidade já havia despontado.

Tentava se expressar oralmente, mas se sentia mais compreendida quando escrevia. Fazia com que todos pudessem entendê-la se o assunto fugisse do romance. Era boa em muitas coisas. Apreciava o belo, mas não amava tudo que era belo. Falava baixo e manso quando pedia carinho. Ela queria que partisse do homem o toque. Nunca quis colocar as mãos do amado em seu corpo. Queria que elas tomassem espírito por si só. Seu beijo era guiado, mas gostava de guiar.

Desejos de Amelie...

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain é um filme Fracês que conta a história de uma menina que deixou o subúrbio para morar num bairro parisiense. Depois de um gesto de gentileza, começa a ajudar todos que estão a sua volta com pequenas demonstrações de atenção. Percebe que pode mudar o humor e a vida dessas pessoas com um simples sorriso, mas por dentro, sente que falta um grande amor.



Destino=/: Encadeamento de fatos; fatalidade; Fado, sorte; Objetivo, fim;
No popular=/: Tem que acontecer!

Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

Todo carnaval tem seu fim

E os dias de folia acabaram. Depois de pulos suados e de corpos sarados, os foliões vestem seus ternos e terninhos e voltam para as ruas movimentadas e estressantes de São Paulo.

Pra que serve o carnaval? O que comemora, onde começou, qual a sua origem?

“O carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior a quaresma e, portanto, tinha um significado ligado a liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no Carnaval.”

Ah sim. Liberdade. Nessa época “ninguém é de ninguém, mas todo mundo é de todo mundo”. Seria essa liberdade?

Eu gosto. Tem quem não goste, que abomine, que julga esses dias uma perda de tempo.
Ora, se o homem não pode gostar de diversão, o que ele deveria gostar então?
Impossível não querer ouvir o som da bateria que parece ritmar com as batidas do coração.

Depois, tudo volta ao normal, o ano finalmente começa e nos damos conta que o carnaval acabou. Em cinzas. Na quarta-feira de cinzas.

‘Deixa eu brincar de ser feliz...Deixa eu pintar com o meu nariz'
Todo carnaval tem seu fim,
Los Hermanos.


Fim=/: Termo, conclusão, remate; Extremidade, limite de espaço, extensão ou tempo; Intenção, propósito; Alvo, objeto; Morte;
No popular=/: acabou!

Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

boas vindas

bem vindos, todos!

apresento...

a tentativa de fazer desse canto, um ponto de discussão.
não importa o tema em pauta.
é tudo que nos faz pensar.
relevante ou não.

que venham agora os devidos posts!

abraços.


Bem-vindo=/: Que chegou bem; Bem acolhido, bem recebido;
No popular=/: chega mais e sinta-se em casa!